Queda de 22,7% nos homicídios reflete foco territorial do programa RS Seguro

Se o primeiro semestre de 2019 consolidou a curva descendente da criminalidade no Rio Grande do Sul, voltando a encerrar com menos de mil homicídios depois de nove anos, a segunda metade do ano iniciou com aprofundamento da redução de crimes.

O monitoramento da Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostra que, em julho, o número de vítimas de homicídios no Estado caiu de 171 no ano passado para 139 neste ano (-18,7%). No acumulado desde janeiro, o resultado é ainda mais expressivo: embora tenha havido 1.109 assassinatos, 326 vidas foram salvas em relação às 1.435 perdidas no mesmo período de 2018 – diminuição de 22,7%.

Além disso, os roubos com morte tiveram queda de 32,8% na soma dos sete meses de 2019, com 39 casos ante 58 de igual intervalo no ano passado. Na observação isolada de julho, a baixa atinge 42,9% – de sete ocorrências em 2018 para quatro neste ano.

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“Se estamos satisfeitos? Claro que não estamos satisfeitos. Mas todos os indicadores mostram que estamos no caminho certo e que, com as ações do RS Seguro, esses índices vão cair ainda mais”, disse o vice-governador e secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior.

A incorporação de 2 mil novos policiais militares e 400 novos policiais civis, além do apoio da bancada federal e da iniciativa privada, por meio do Programa de Incentivo à Segurança Pública (Piseg), também deve contribuir para a queda dos índices. De acordo com o governador Eduardo Leite, “mesmo que os números positivos não nos deixem absolutamente satisfeitos, deixam a certeza de que estamos no caminho da redução da criminalidade no Estado.”

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Outro destaque é a leitura dos resultados nos 18 municípios priorizados pelo programa transversal e estruturante RS Seguro. Os dados mostram que esse conjunto de cidades foi responsável por nove em cada dez das vidas preservadas no Estado entre janeiro e julho de 2019, na comparação com o total de homicídios em igual período do ano passado.

O número de assassinatos nesses municípios caiu 31,9%, de 955 para 650. Ou seja, das 326 mortes que deixaram de ocorrer em todo o RS, 305 foram evitadas nas localidades priorizadas pelo RS Seguro. A análise comprova a efetividade do planejamento do programa de Segurança Pública lançado em fevereiro, com foco territorial para combate à criminalidade nas cidades que concentraram os piores índices nos últimos 10 anos.

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Alvorada tende a baixar
taxa de homicídios

Entre os 18 municípios priorizados e que puxaram a queda nos homicídios no Estado, cabe destacar a radical mudança de cenário em Alvorada, recentemente citada como a sexta cidade mais violenta do Brasil no Atlas da Violência 2019, produzido com dados de 2017 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

No acumulado entre janeiro e julho, a cidade registrou queda de 34% nos assassinatos, passando de 96 mortes em 2018 para 63 neste ano – média de nove óbitos por mês que, caso mantida, fará a cidade fechar o ano com 108 vítimas. Nesse caso, frente população de 209.213 moradores, conforme o dado mais recente do IBGE, a taxa de homicídios em Alvorada ficará em 51,6 para cada 100 mil habitantes.

Embora ainda supere em muito o limite de 10 mortes para cada 100 mil moradores, acima do qual a Organização das Nações Unidas (ONU) classifica a situação como epidemia, a projeção também representa queda pela metade na taxa verificada dois anos antes.

Conforme dados da SSP, em 2017, quando tinha 208.177 moradores, Alvorada registrou 209 assassinatos – taxa de 100,3 para cada 100 mil habitantes. Pelos números do Atlas da Violência, com 234 óbitos, a taxa naquele ano foi de 112,6. A diferença se dá em razão de o Atlas incluir óbitos classificados em outras tipificações que não a do crime de homicídio, como lesão corporal seguida de morte.

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Além dos crimes contra a vida, a grande maioria dos outros delitos monitorados pela SSP registrou redução no Estado. No acumulado de sete meses, foram 3,1 mil roubos de veículos a menos neste ano na comparação com igual recorte em 2018, passando de 10.064 casos para 6.897 (-31,5%).

Outro destaque é a diminuição de 33% nos ataques a banco no RS. A soma de furtos e roubos a instituições bancárias caiu para 68 ocorrências entre janeiro e julho de 2019, ante 101 registradas no ano anterior.

Também houve quedas de 9,4% roubos (de 43.923 para 39,816), de 12,3% nos furtos de veículos (de 8.689 para 7.619), de 14,8% nos furtos (de 82.141 para 69.951) e de 24% nos roubos a transporte coletivo, incluindo passageiros e motoristas (de 1.901 para 1.450).

Capital mantém menores números
criminais dos últimos 10 anos

Na capital, que também integra o grupo de 18 municípios priorizados pelo programa RS Seguro, o início do segundo semestre manteve o padrão dos primeiros seis meses do ano, com os menores índices criminais da década.

Na comparação dos acumulados entre o primeiro e o sétimo mês de 2018 e de 2019, o número de latrocínios caiu pela metade, de oito para quatro (-50%), e a soma de homicídios reduziu de 357 para 200 (-44%), com 157 vidas preservadas.

Tanto nos assassinatos como nos roubos com morte, os números atuais são os mais baixos desde 2010. Na observação isolada de julho, a capital teve 10 mortes a menos do que no mesmo mês do ano passado (de 34 para 24) e nenhum latrocínio ocorreu.

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A significativa queda nos roubos de veículos em Porto Alegre reforça a importância do foco territorial adotado pelo RS Seguro para priorizar as ações de combate ao crime. Do total de 3,1 mil ocorrências a menos em todo o Estado, 2.204 foram na capital. Entre janeiro e julho de 2018, 5.300 veículos foram levados por ladrões na cidade, enquanto em igual intervalo deste ano o acumulado ficou em 3.096 – queda de 41,6%. Comparando apenas os meses de julho, o número de automóveis roubados passou de 666 para 445 (-33%) – 221 a menos.

Feminicídios seguem
em queda no ano

O número de feminicídios em julho trouxe alerta para as autoridades de Segurança Pública, mas a comparação dos acumulados entre janeiro e julho de 2018 e 2019 mantém a queda geral na violência contra mulher. No mês que dá início ao segundo semestre, houve 15 assassinatos de mulheres em razão do gênero, ante oito do mesmo mês no ano anterior.

Ainda na comparação mensal, todos os demais indicadores monitorados pela SSP registraram queda. As tentativas de feminicídio em julho passaram de 33 para 22, as ameaças reduziram de 2.868 para 2.533, as lesões corporais foram de 1.432 para 1.345, e os estupros, de 121 para 111.

Na avaliação do resultado do início do ano até o sétimo mês, todos os cinco indicadores fecharam em queda. Entre janeiro e julho de 2019, houve 58 feminicídios ante 63 do mesmo intervalo no ano passado. No mesmo parâmetro, as tentativas de feminicídio caíram de 227 para 206, as ameaças foram de 22.049 para 21.515, as lesões corporais passaram de 12.576 para 12.010, e os estupros baixaram de 1.098 para 819.

Texto: Carlos Ismael Moreira/Ascom SSP
Edição: Marcelo Flach/Secom 

Foto: Rodrigo Ziebell / SSP

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