Gisnei

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Mais de meio milhão de pessoas participaram de uma campanha de arrecadação de fundos realizada no Facebook para reunir crianças separadas dos pais que entraram ilegalmente nos Estados Unidos pela fronteira do México.

Segundo a atualização de hoje (23) o valor angariado pela campanha Reúna um pai imigrante com o filho,  já ultrapassa os U$ 19,5 milhões de dólares (R$ 61 milhões). É o maior valor já arrecadado em uma campanha feita pela rede social.

Segundo a porta-voz da rede social Roya Soleimani Winner, mais 500 mil pessoas fizeram doações em prol da reunião das famílias separadas pela política tolerância zero da administração Donald Trump.  

A campanha foi criada no sábado (16). Inicialmente com um alvo de U$1,5 mil dólares. Mas a arrecadação foi recorde na rede social com até U$10 mil dólares por minuto.

Organizada dentro da ferramenta chamada Fundraiser, do Facebook, a campanha bateu todas as metas estipuladas. Desde o lançamento, o esforço de arrecadação de dinheiro aumentou regularmente sua meta. Hoje a meta foi alterada para U$25 milhões.

Criadores

A campanha foi criada pelo casal Charlotte Willner e Dave Willner, moradores da Califórnia. Ambos trabalharam no grupo que fundou o Facebook. Eles tomaram a decisão, segundo a imprensa californiana, após ver um foto da menina hondurenha de 2 anos, olhando e chorando para a mãe, enquanto ela era revistada pela patrulha fronteiriça, no Sul do Texas.

Charlote diz que ela e o esposo lembraram-se da própria filha, de 2 anos, ao ver a menina chorando, e decidiram  criar a campanha. “Essas não são crianças com as quais não precisamos nos importar. Elas são como nossos filhos ”, disse Charlotte Willner ao San Jose Mercury News, um jornal local da Califórnia.

O dinheiro arrecado será usado para campanhas do Refugee and Immigrant Center for Education and Legal Services,  RAICES, uma organização sem fins lucrativos que fornece serviços legais gratuitos para crianças, famílias e refugiados imigrantes no centro e sul do Texas.

Edição: Maria Claudia
 
Por Leandra Felipe – Repórter da Agência Brasil

O desembargador Nelton Agnaldo Moraes dos Santos, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), anulou uma decisão da Justiça Federal em São Paulo que havia imposto um teto de 5,72% para o reajuste de planos de saúde individuais neste ano.

Em decisão liminar (provisória) do último dia 12, o juiz federal José Henrique Prescendo, da 22ª Vara Cível de São Paulo, aceitou pedido feito em uma ação civil pública pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Para o magistrado, seria “excessivo” autorizar um reajuste maior do que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor – Amplo (IPCA) relativo à saúde e aos cuidados pessoais.

Ao reverter a decisão, atendendo a recurso da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o desembargador Moraes dos Santos afirmou ser “bastante abstrato o conceito de ‘reajustes excessivos’”, pois a dinâmica de preços dos planos de saúde é complexa e não se vincula às variações inflacionárias.

“Parece inquestionável que tais reajustes não possam ser pautados por índices inflacionários. Fosse isso possível, o papel da agência reguladora, nesse aspecto, seria praticamente nulo, visto que bastaria uma norma que vinculasse os reajustes dos planos de saúde a esse ou àquele índice inflacionário”, escreveu o desembargador em sua decisão, assinada na sexta-feira (22). Ele suspendeu a liminar e determinou uma nova instrução processual do assunto, até que se possa decidir a questão de mérito em definitivo.

Em nota, o Idec lamentou a decisão, que, para o instituto, foi “tomada apenas considerando os argumentos das empresas sem levar em conta os fatos gravíssimos que o Idec e as organizações de defesa do consumidor vêm denunciando há anos”.

Segundo a entidade, o Tribunal de Contas da União (TCU) já apontou irregularidades na metodologia que a ANS utiliza para calcular os reajustes máximos dos planos individuais. “A decisão desconsidera a gravidade dos erros na metodologia dos reajustes aplicados pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e ignora suas falhas, permitindo que a lesão aos consumidores se agrave”, disse o Idec, acrescentando que irá recorrer. 
 

Edição: Juliana Andrade
 
Por Felipe Pontes – Repórter da Agência Brasil

Independente do futuro de alemães e suecos nesta Copa, o confronto de hoje (23) entre eles foi histórico. A Alemanha virou o jogo – 2 x 1 – no último lance, em uma partida com a dose máxima de todos os contornos dramáticos que o futebol pode ter. O nome do jogo foi Toni Kroos. Ele fez o estádio Fisht, em Sochi, explodir em assombro e êxtase com um gol derradeiro.

A Suécia se defendeu bem o jogo inteiro, puxou bons contra-ataques e abriu o placar. Com uma proposta bem definida de esperar a Alemanha em sua área, a seleção escandinava foi bem-sucedida quase o tempo todo. O abatimento dos suecos e da sua torcida após o apito final denunciou duro golpe sofrido após mais de 90 minutos de uma boa partida.

O jogo

Nos primeiros minutos a Alemanha jogou como um rolo compressor para cima da Suécia. Aos 2 minutos, Granqvist salvou um gol certo do alemão Marco Reus dentro da grande área. Reus pegou o rebote do goleiro, já batido no lance, e chutou de voleio, mas o zagueiro sueco se jogou na frente da bola, desviando o chute.

O domínio alemão era flagrante. Nos primeiros dez minutos de jogo, o time do técnico Joachim Löw trocou 122 passes, enquanto os suecos haviam passado a bola apenas seis vezes. A Alemanha continuou cercando com perigo a área do adversário, mas a Suécia tinha a oportunidade dos contra-ataques.

Na primeira investida sueca em velocidade, Forsberg caiu e reclamou de uma falta antes de entrar na área. Já a segunda foi mais perigosa. Berg entrou na área e, marcado por dois defensores, caiu antes de finalizar. Berg, todo restante do time sueco e grande parte da torcida pediram pênalti, mas o árbitro polonês Szymon Marciniak sequer consultou o assistente de vídeo.

A Suécia conseguiu resistir à pressão inicial dos alemães e foi fatal em um de seus ataques. Aos 30 minutos, chegou ao gol, com Toivonen. Ele recebeu um bom passe na grande área, matou no peito e deu um toque por cima do goleiro Neuer com muita categoria.

Aos 38 minutos, por muito pouco o empate alemão não aconteceu. Gündogan arriscou um chute de longe e o goleiro Olsen fez ótima defesa no canto. Müller não conseguiu aproveitar o rebote.

Segundo tempo

No segundo tempo, a Alemanha voltou a pressionar, assim como no primeiro tempo. Mas dessa vez, o gol saiu. Aos 2 minutos, Reus aproveitou o cruzamento de Mario Gómez e empatou a partida. Curiosamente, Mario Gómez, com 1,89, entrou no segundo tempo da partida para receber cruzamentos na área e não para fazê-los.

Foi o segundo tempo de um time só. A Alemanha pressionava, mas estava nervosa. A Suécia pouco subia ao ataque, satisfeita com o resultado. A expulsão de Boateng, após receber o segundo cartão amarelo, deixou a Alemanha com um a menos nos últimos 15 minutos.

Aos 42 minutos, Gómez fez o que se esperava dele. Após cruzamento na área, o centroavante alemão cabeceou para o gol, mas o goleiro Olsen fez uma grande defesa. Aos 46, quase veio a virada. Brandt acertou um chute de fora da área e a bola explodiu no travessão. Parecia que os deuses do futebol eram suecos. Mas só parecia.

Quando tudo parecia decidido, aconteceu o improvável. Em cobrança de falta, pelo lado esquerdo da área sueca, no último lance da partida, Kroos acertou um lindo chute, no ângulo do gol de Olsen. Kroos chutou com espaço, sem obstáculos à frente. Os dois únicos homens que faziam a barreira sueca não foram suficientes para fechar o ângulo do chute.

Com a vitória, a Alemanha ressurge na competição. E pode se classificar às oitavas de final com uma vitória sobre a Coreia do Sul. Caso a Suécia vença o México, essas duas seleções, além da Alemanha, ficariam com 6 pontos e a definição dos classificados seria por critérios de desempate, como saldo de gols e confronto direto.

Alemanha e Coreia do Sul se enfrentam na quarta-feira (27), às 11h. Suecos e mexicanos jogam no mesmo dia e horário, em Ecaterimburgo.

Confira a tabela de classificação da Copa do Mundo.

Edição: Maria Claudia
Por Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil
 
Copa 2018, Alemanha e Suécia, Lances REUTERS/Hannah McKay - Hannah McKay/Reuters/Direitos Reservados

Para falar sobre um movimento novo, que busca produzir mais, melhor e com mais qualidade, a Sicredi Pampa Gaúcho está trazendo para a região uma série de palestras sobre Capitalismo Consciente.

O palestrante é Thomas Eckschmidt, que traz em sua bagagem palestras internacionais, com mais de 200 mil visualizações no TEDx. É fundador da Cattena Food Change (Soluções de rastreabilidade), cofundador do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, coautor do Livro Fundamentos do Capitalismo Consciente e membro atuante de conselhos coorporativos.

Ele abordará um tema muito importante para o momento socioeconômico da região, estado e país, e por que não dizer mundial. Trata-se de uma forma diferente de capitalismo, com um propósito maior, diferente do lucro, mas uma consequência desse propósito, onde o lucro é o resultado do trabalho conjunto.

As palestras fazem parte de uma iniciativa da Sicredi Pampa Gaúcho, denominada Ser S, que busca difundir o cooperativismo, através de ações de responsabilidade social e econômica, colocando em prática os valores e princípios cooperativistas.

As palestras tem o objetivo de integrar a região em um assunto que vai sacudir a todos que querem e acreditam no poder da transformação do trabalho colaborativo. “Somar forças faz parte do nosso dia a dia e a Sicredi Pampa Gaúcho acredita no poder que a coletividade regional possui para transformar a nossa realidade. Cada vez mais a Cooperativa vem consolidando o papel de auxiliar nessa transformação”, justifica o diretor Executivo da Sicredi Pampa Gaúcho, Leandro Gindri de Lima.

Confira datas e horários das palestras:

27/06 – 19h - Teatro Rosalina Pandolfo Lisboa – Uruguaiana

28/06 – 19h - Superintendência Regional do Sicredi – Alegrete

29/06 – 14h - Auditório da Unipampa – Santana do Livramento

– 19h - Salão Paroquial - Rosário do Sul

O ingresso é 1Kg de alimento não perecível.

Não foi fácil, e muito menos de goleada prevista por alguns, mas a Espanha venceu o Irã por 1 a 0 pela segunda rodada do grupo B, hoje (20), em Kazan. Esperava-se uma grande partida dos espanhóis, que jogaram bem contra Portugal, mas o ataque da Fúria foi contido na maior parte do jogo por uma defesa iraniana bem armada. A Espanha pressionou durante a maior parte do jogo, mas só chegou ao gol no segundo tempo, com Diego Costa.

Foi uma partida boa de se ver. A toda poderosa Espanha entrou com a grife que só as favoritas têm e saiu de campo com um 1 a 0 magro, mas suficiente. O Irã, todo na defesa, começou a jogar só no segundo tempo, depois que sofreu o gol. Arriscou-se no ataque e chegou a fazer um gol, bem anulado pelo árbitro. Continuou, à sua maneira, tentando empatar, no melhor jogo do dia.

O jogo

A Espanha tinha a supremacia total na posse de bola, mas não conseguia finalizar com perigo. Bem marcado, Diego Costa pouco fazia no ataque. Aos 16 minutos, um lance curioso, em um raro ataque do Irã no primeiro tempo. Mehdi passou pela defesa e recebeu uma bola pelo lado direito, completamente sem marcação. Ele, no entanto, parecia achar que estava impedido e não partiu em velocidade. Até entender que o lance estava valendo, a defesa espanhola já havia se recomposto e ao iraniano restou jogar a bola na área, sem perigo para o gol defendido por De Gea.

Aos 29 minutos, finalmente uma jogada ao estilo da Espanha. Uma troca de passes curtos e envolventes deixou Iniesta dentro da área, mas a defesa conseguiu jogar para escanteio. Na cobrança, a bola foi jogada na área e David Silva tentou um voleio para o gol, mas a bola foi por cima.

O clima era de desespero na área do Irã. A defesa afastava com chutões a maior parte das bolas que chegavam na defesa. Não havia contra-ataques do time do Oriente Médio. O jogador mais avançado, Sardar Azmoun, corria inutilmente para um lado e para o outro, tentando ligar um contra-ataque. As melhores – e raras – jogadas de ataque dos iranianos partiam da defesa, tocando a bola com paciência.

Aos 4 minutos do segundo tempo, o goleiro Beiranvand fez uma boa defesa em chute de longe. Ele espalmou a bola para cima e, já caído, deu mais um tapa para jogar a bola para escanteio. Aos 7 minutos, veio a resposta iraniana, na melhor chance do jogo até então. Karim pegou uma sobra na área e deu um bom chute. A bola estufou a rede pelo lado de fora e fez muita gente no estádio gritar gol.

A abertura do placar viria em seguida, mas do outro lado. Diego Costa recebeu a bola na área e o defensor tentou cortar, mas chutou a bola nas pernas do brasileiro naturalizado espanhol e a pelota entrou no canto direito de Beiranvand. A Espanha finalmente chegava ao seu gol.

Alegria iraniana

Aos 16 minutos, uma festa absoluta tomou conta do estádio em Kazan quando Ezatolahi marcou. Ele aproveitou a bola sobrada na área após uma cobrança de falta e estufou a rede. Os reservas e comissão técnica correram para comemorar no gramado com o camisa 6 iraniano, que chorava emocionado. Eles não viram, porém, que o juiz já havia marcado – corretamente – o impedimento de Ezatolahi. A marcação foi confirmada pelo árbitro de vídeo logo em seguida.

Mas o gol anulado animou o Irã. A defesa passou a evitar os chutões e passou a sair jogando a cada roubada de bola. Aumentou sua presença ofensiva, mesmo sem levar perigo a De Gea. Aos 36 minutos, Amiri desmoralizou Piqué na esquerda do ataque. O iraniano botou a bola debaixo das pernas do zagueiro do Barcelona e cruzou para a área. Mehdi cabeceou com perigo, por cima do gol.

O torcedor espanhol se sentiu aliviado quando o árbitro apitou o final da partida. Com a vitória, a Espanha empata com Portugal na liderança do grupo, com 4 pontos. O Irã, com 3 pontos, ainda tem chances de classificação. Na última rodada, Irã e Portugal se enfrentam, enquanto a Espanha joga contra Marrocos.

Edição: Davi Oliveira

Por Marcelo Brandão - Repórter da Agência Brasil

Ledahí Dias Nascimento tinha 14 anos quando, no quintal de sua casa, a Escola de Samba Império Serrano foi fundada no Rio de Janeiro, em 1947. Filha de Tia Eulália, matriarca da escola de samba carioca, Dona Leda – hoje com 85 anos – é uma memória viva das primeiras décadas do samba. Às vezes, a lembrança daquele tempo vem em forma de verso, em um cantarolar saudoso, e, assim, uma melodia esquecida pode fazer história.

A memória de sambistas da velha guarda é o principal material de trabalho do agrupamento paulistano Glória ao Samba, que pesquisa músicas inéditas – nunca gravadas – das primeiras décadas do século 20 e que vivem apenas nas recordações de antigos integrantes das escolas de samba. Mais de 300 canções já foram redescobertas. Depois elas são tocadas em rodas de samba que fazem homenagem a compositores e escolas.

O trabalho de campo dos agrupamentos, grupos formados de músicos que se dedicam a pesquisar sambas antigos, é um verdadeiro quebra-cabeças. Muitas vezes, uma estrofe é descoberta com uma pessoa e um trecho seguinte se desvenda com outra. “A gente fica estimulando a memória dos sambistas antigos: ‘E esse pedaço aqui?'. Primeiro eles dizem: ‘ah, não lembro’. Mas aos poucos eles vão lembrando”, descreveu Paulo Mathias, integrante do agrupamento. O advogado Rafael Lo Ré, outro integrante, contou que esses encontros, normalmente, são informais. “Acima de tudo, a gente gosta de fazer aquilo, e acaba cultivando uma amizade. Então a gente repassa os bons tempos, vai falando, mostra uma letra ou outra e chega à melodia”.

Dona Leda canta na roda de samba que homenageou o centenário do sambista Silas de Oliveira.
Dona Leda ajudou o agrupamento Glória ao Samba a resgatar sambas criados há mais de 70 anos  (Juliana Vitulskis/Direitos Reservados)

No caso de dona Leda, o agrupamento conseguiu resgatar várias músicas. “Ela assistiu, desde pequena, às manifestações de samba em casa. É um documento vivo da história do Império Serrano. Nós levamos uma série de recortes de jornais, livros antigos, com letras da década de 1940, 1950 e ela lembrou da melodia”, contou Paulo Mathias, outro integrante do agrupamento. Ele se refere à música O Último Baile da Corte Imperial, composição de Silas de Oliveira, Waldir Medeiros e João Fabrício, que agora é cantada de forma completa em rodas de samba.

Antes que Dona Leda cantasse O Último Baile da Corte Imperial, a letra era apenas um registro histórico do samba enredo de 1953 do Império Serrano no livro Silas de Oliveira – do jongo ao samba enredo, publicado em 1981. No encontro do agrupamento com a sambista, ocorrido na sua casa, em 2014, os versos ganharam batucadas inéditas e a canção se completou. “O último baile imperial/foi realizado na antiga Ilha Fiscal. Os ilustres visitantes homenageados/partiram para seu país distante/com o êxito brilhante, emocionados”, diz a letra da música resgatada.

Estratégias de pesquisa

Subir o morro para ir à casa de um sambista octogenário, perambular nos bares à procura de um amante do samba, manter o olhar atento na quadra das escolas para identificar integrantes da velha guarda e viajar o estado em busca de pistas que levem a um antigo membro de escola de samba são algumas das estratégias utilizadas pelos componentes do Glória ao Samba nos 10 anos de trajetória. “A música e a pesquisa caminham lado a lado, a gente não diferencia. A gente gosta de falar sobre samba, de cantar, de compor. Nossa escola é falar sobre os antigos, exercitar esse samba dos antigos compositores. A gente só sabe fazer desse jeito”, explicou Rafael Lo Ré.

“Às vezes, a gente aprende com uma pessoa que não era compositora, mas que, de alguma forma, era membro da escola e que se lembra. Alguma pessoa mais antiga. É atrás dessas pessoas que a gente está correndo: moradores antigos, octogenários”, continuou Lo Ré. O caderninho de Jolete Azevedo, a Tia Jujuca, 89 anos, foi fundamental para algumas descobertas. Paulo Mathias relatou que, por causa da religião evangélica, ela já não frequentava rodas de samba, mas as lembranças permaneceram.

“Ela contou que, quando estava lavando louça ou fazendo outra coisa, costumava lembrar das músicas que eram cantadas, lembrava dos compositores e anotava tudo em um caderninho. Ali tinha uma infinidade de sambas do começo do Império Serrano. Foi assim que ela cantou muitos sambas antigos e desconhecidos para as pessoas da nossa geração”, disse Mathias.

Outro samba que teve a melodia redescoberta por Dona Leda conta um pouco da história da escola. “Império não tem padrinho, que eu saiba. A Portela ia batizar, mas já naquele ano nós ganhamos. Assim que a Império fundou foi campeã, aí já ficaram aborrecidos. Segundo ano, a Império campeã outra vez, aí o jornal: ‘Escola de Madureira é a escola que brilha’. Aí, pronto, começou a inimizade”, relembrou. Da intriga se fez samba. A Portela cantou: “Portela é despida de vaidade. Vitória para a Portela é banalidade, é banalidade, é banalidade”. E o Império retrucou: “Este é o Império Serrano, campeão de quatro anos. Quem disse que vitória é banalidade, para o Império não é novidade”.

Memória viva

Recortes de jornais da época encontrados em bibliotecas, livros sobre a história das escolas de samba ou até mesmo prospectos – folhas impressas com as letras que eram distribuídas nas rodas de samba – são alguns dos meios utilizados pelos integrantes do Glória ao Samba para descobrir músicas inéditas. Mas, às vezes, a própria memória do sambista é a fonte de pesquisa. Foi assim com Jarbas Soares, o Binha do Salgueiro, que revelou, em 2008, a Rafael Lo Ré, a canção Em 59, balançamos a roseira.

“Comecei a conversar com ele por telefone, a fazer uma amizade, para agendar uma ida ao Rio de Janeiro. Pelo telefone mesmo, ele me cantou esse samba”, relembrou Lo Ré. Se o encontro com Binha demorasse mais de ocorrer, a melodia poderia não ter sido recuperada, pois o sambista morreu em 2017. Paulo Mathias destaca que Binha do Salgueiro foi também um dos autores do primeiro samba enredo a falar da matriz africana do Brasil, com Chico Rei, de 1964, quando a agremiação foi vice-campeã do carnaval carioca e que teve a Portela como primeiro lugar.

O primeiro samba enredo da escola Paraíso do Tuiuti, por sua vez, nunca fora gravado. A descoberta da melodia ocorreu a partir do encontro com um dos compositores, Jorge Cardoso, em 2014. O Desenlace do Doutor Roquete Pinto embalou o desfile de 1955. “Ele estava cantando muitos sambas, sem muito critério, e eu estava gravando tudo. Quando aparecia algo diferente, ficava atento. Até que ele cantou esse samba. Eu não toquei mais o cavaquinho e ele cantou”, relatou Lo Ré. Cardoso também integrou a ala dos compositores da Acadêmicos do Salgueiro, sendo responsável pelo desenho símbolo da escola. O sambista morreu em julho de 2017.

Edição: Davi Oliveira

Por Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil*

Pela segunda vez seguida, o Banco Central (BC) não alterou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve hoje (20) a taxa Selic em 6,5% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

Em nota, o Copom destacou que a greve dos caminhoneiros trouxe incertezas que dificultam a avaliação das perspectivas para a economia. “A paralisação no setor de transporte de cargas no mês de maio dificulta a leitura da evolução recente da atividade econômica. Dados referentes ao mês de abril sugerem atividade mais consistente que nos meses anteriores. Entretanto, indicadores referentes a maio e, possivelmente, junho deverão refletir os efeitos da referida paralisação”, ressaltou o texto.

Segundo o comunicado, a instabilidade na economia internacional também contribuiu para a manutenção dos juros básicos. “O cenário externo seguiu mais desafiador e apresentou volatilidade. A evolução dos riscos, em grande parte associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas, produziu ajustes nos mercados financeiros internacionais. Como resultado, houve redução do apetite ao risco em relação a economias emergentes”, informou o Copom.

Com a decisão de hoje, a Selic continua no menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Em outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março deste ano.

Na última reunião do Copom, em maio, a Selic tinha sido mantida em 6,5% ao ano, numa decisão que surpreendeu o mercado financeiro. Na ocasião, o BC alegou que a instabilidade internacional, que se manifestou na valorização do dólar nos últimos meses, influenciou a decisão.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumula 2,86% nos 12 meses terminados em maio, abaixo do piso da meta de inflação, que é de 3%. O IPCA de junho só será divulgado no início de julho.

Até 2016, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para 2017 e 2018, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano nem ficar abaixo de 3%.

Inflação

No Relatório de Inflação, divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerrará 2018 em 3,8%. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano num nível parecido: 3,88%.

Do fim de 2016 ao fim de 2017, a inflação começou a diminuir por causa da recessão econômica, da queda do dólar e da supersafra de alimentos. Os índices haviam voltado a cair no início deste ano, afetado pela demora na recuperação da economia, mas voltaram a subir depois da greve dos caminhoneiros, que durou 11 dias e provocou escassez de alguns produtos no mercado.

Crédito mais barato

A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica. No último Relatório de Inflação, divulgado em março, o BC projetava expansão da economia em 2,6% para este ano, mas a estimativa deve ser revista para baixo depois da greve dos caminhoneiros.

O próprio governo estima que a paralisação tenha custado R$ 15,9 bilhões e provocado prejuízo equivalente a 0,2% do PIB. Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam crescimento de 1,76% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2018.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

 

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ArteDJOR
Edição: Wellton Máximo

O Woop Sicredi foi desenvolvido para oferecer uma solução financeira cooperativa no ambiente digital para um público conectado e jovem de espírito, que procura resolver suas necessidades financeiras virtualmente, ao mesmo tempo em que colabora para o desenvolvimento da sua comunidade. A solução faz parte da transformação digital do Sicredi. 

O nome Woop vem de uma interjeição formada por meio da combinação de “wow” e “coop”, criando uma expressão moderna que pretende ser o som do cooperativismo nos ambientes digitais. 

Um dos diferencias do Woop Sicredi é aliar inovação digital e cooperativismo, conectando pessoas e propósitos. O associado integra uma cooperativa de crédito do Sicredi, de acordo com a região onde mora, e pode participar - com direito a voto -, de assembleias nas quais acontecem as decisões estratégicas, e da distribuição dos resultados. 

Inicialmente, no Woop Sicredi é possível associar-se e criar uma conta 100% digital, sem papel; ter acesso à conta corrente com pagamentos de contas de consumo e transferências; poupança; limites e créditos; cartão 100% digital; autenticação digital; programa de fidelidade e organizador financeiro. Para associar-se ao Woop Sicredi, assim como acontece na associação presencial às cooperativas que formam o Sicredi, é necessário integralizar um valor no capital social da cooperativa. 

Outra facilidade do Woop Sicredi é o seu programa de fidelidade, com o qual o Wooper acumula valores (Mooedas) a partir do uso do cartão de crédito e pode usar esses valores diretamente em pagamentos como, por exemplo, o da cesta de relacionamento e outros relacionados à conta corrente. O aplicativo também disponibiliza um organizador financeiro, ferramenta que auxilia na organização e gestão da vida financeira do associado. 

O Woop Sicredi é baseado no conceito de autosserviço e conta com diversos canais de atendimento digital como chat; videochamada; e-mail; redes sociais; FAQ, entre outros. Para baixar o Woop Sicredi, é só acessar as lojas de aplicativos dos sistemas Android e iOS ou o endereço www.woopsicredi.com.

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