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Nos últimos 12 meses, o IIPR (Índice de Preços Recebidos pelos Produtores Rurais) acumulou queda de 24,1%, a maior desde 2010, início da séria histórica. O resultado está bem distante do IPCA Alimentos que teve uma deflação de -0,03% e do IPCA, com 1,18%. A diferente trajetória entre os indicadores comprova a diferença do comportamento entre os preços pagos aos produtores e o praticado nas prateleiras dos supermercados, não havendo relação entre eles. As informações estão no relatório divulgado pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul, nesta quinta-feira, dia 20.

Apesar do segundo mês consecutivo com altas, o primeiro semestre de 2017 também fechou com resultado negativo nos preços praticados no campo, atingindo -15,4%. Milho (-35%) e Soja (-14%) foram os principais responsáveis pelo saldo. O quadro melhorou nos últimos dois meses, tendo o IIPR registrado 1,21% em junho. A recuperação de Milho (1,3%) e soja (1,4%), junto com Trigo (5%) e Leite (1,7%) foram os principais responsáveis na composição do resultado.

Já o IICP (Índice de Inflação dos Custos de Produção) apresentou novamente deflação em junho. Mesmo com o aumento na taxa cambial, o resultado foi de -0,53%. Os agroquímicos, especialmente inseticidas, registraram as maiores quedas. A redução nos custos do diesel e, consequentemente, gastos menores com frete, também colaborou para o resultado. No acumulado do ano e nos últimos 12 meses, os resultados também foram negativos com -4,70% e 3,79%, respectivamente. 
 
Fonte: www.agrolink.com.br

Um novo inseticida promete ser alternativa para o controle dos percevejos, além do combate adicional a outras pragas relevantes como mosca-branca, lagarta-do-cartucho e pulgão-do-milho. De acordo com a Ihara, o diferencial do Bold é a combinação de um duplo mecanismo de ação (Acetamiprid + Fenpropathrin).

A fabricante explica que o inseticida tem maior flexibilidade de aplicação, podendo ser utilizado em qualquer fase da cultura, seja por via área ou terrestre. Aponta ainda que o Bold proporciona um menor custo operacional e a melhor qualidade dos grãos. O produto possui recomendação para o controle de pragas nas culturas de Aveia, Centeio, Cevada, Milheto, Milho, Rosa, Soja, Sorgo, Trigo e Triticale.

Luís Fernando Andrade, gerente de Produtos Inseticidas da IHARA, comenta que para chegar ao nível de eficiência apresentado, a empresa realizou uma série de estudos aprofundados com a praga. “Além do efeito de choque, combatendo as pragas de imediato, o produto apresenta característica residual, permanecendo por mais tempo na planta, prolongando o combate direto”, explica Luís Fernando.
 
Ele lembra que os produtores enfrentaram dificuldades no controle do percevejo em decorrência da perda de eficácia dos inseticidas, além da adoção de variedades de soja transgênicas resistentes a lagartas. “O BOLD chega justamente para reverter esse cenário, pois além de controlar percevejos é eficaz contra a lagarta-do-cartucho, que não é controlada pela soja resistente a lagartas”, explica o executivo.
 
Fonte: www.agrolink.com.br

Para muitos agricultores, nas principais regiões produtoras de grãos do País, o investimento contínuo em adubação a cada safra é sinônimo de altas produtividades. A prática também é responsável por altos custos, já que corretivos e adubos representam 30% ou mais dos gastos em sistemas de produção que envolvem as culturas de soja e milho. A boa notícia é que pesquisadores da Embrapa e de outras instituições de pesquisa comprovaram, em experimentos conduzidos em áreas de produção comercial de grãos, que em muitas situações é possível reduzir ou até mesmo deixar de adubar por algumas safras, sem perdas significativas de produtividade.

"Em solos de fertilidade construída, situação típica da agricultura de alta produtividade na região de Cerrado, é comum que os agricultores continuem adubando com quantidades fixas de nitrogênio, fósforo e potássio por temerem possíveis reduções de produtividade. Esse procedimento pode ser equivocado e levar a perda de competitividade do agricultor", revela o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas, MG) Álvaro Vilela de Resende, membro da equipe do projeto "Eficiência do uso de fertilizantes e validação de novas tecnologias", que envolveu diversas Unidades de pesquisa da Embrapa, instituições externas e produtores rurais.

Solo de fertilidade construída é o nome que se dá ao status adquirido em sistemas de produção, principalmente no Cerrado, após investimentos sucessivos em calagem, gessagem e em adubações corretivas e de manutenção com fósforo, potássio e micronutrientes, associados ao estabelecimento do sistema plantio direto, que mantém ou aumenta o estoque de matéria orgânica no solo.

Com o manejo ao longo das safras, esses solos passam a apresentar condições físicas, químicas e biológicas adequadas para as culturas expressarem melhor o seu potencial produtivo. "Apesar de o nível de fertilidade do solo ser alto ou até muito alto, é comum que os agricultores continuem adubando. Essa prática tem resultado em adubações desnecessárias ou superdimensionadas, com baixa eficiência de uso dos fertilizantes", cita um trecho do artigo "Adubação, produtividade e rentabilidade da rotação entre soja e milho em solo com fertilidade construída", publicado na revista PAB (Pesquisa Agropecuária Brasileira), editada pela Embrapa.

 

 

Experimento conduzido em área de produção comercial de grãos

A equipe de pesquisadores conduziu o experimento em uma fazenda localizada em uma região produtora de grãos no noroeste de Minas Gerais, cujo solo vem sendo cultivado há 15 anos em sistema de plantio direto com fertilidade considerada de adequada a alta para a região do Cerrado. Três cultivos de verão, em condições de sequeiro, na sequência de rotação soja/milho/soja, foram avaliados, sendo deixada uma área controle com o manejo de adubação utilizado normalmente pelo agricultor. As demais doses das adubações incluíram quantidades de fertilizantes abaixo e acima das empregadas pelo agricultor. As adubações de semeadura foram realizadas no sulco, via semeadora, e as aplicações em cobertura foram feitas manualmente, com filete de adubo nas entrelinhas.

Na primeira safra, foi semeada uma cultivar precoce de soja RR, com estande de 380 mil plantas por hectare. O segundo plantio foi feito com um híbrido simples de milho, com 68 mil sementes por hectare. E, por fim, na última safra, usou-se uma cultivar precoce de soja RR com estande de 280 mil sementes por hectare.

Após a análise dos dados de produtividade, os pesquisadores concluíram que "nesses casos de elevada fertilidade do solo, a adubação de manutenção com quantidades que apenas reponham a exportação nos grãos constitui o manejo mais racional, uma vez que os nutrientes aplicados e não absorvidos pelas plantas podem ficar sujeitos a processos de perdas no sistema".
Outros resultados importantes obtidos foram que "a soja não respondeu às adubações NPK de semeadura ou de cobertura potássica, em nenhuma das safras" e que "a produtividade do milho (safra 2011/2012), no entanto, respondeu tanto à adubação NPK na semeadura como à cobertura nitrogenada, o que confirma a maior responsividade dessa cultura à adubação".

Os pesquisadores interpretam que "a ausência de resposta da soja e a resposta relativamente baixa do milho à adubação são indícios de que o solo, de fato, apresentava grande reserva de nutrientes, e de que é possível diminuir a quantidade de fertilizantes aplicados no solo avaliado. Portanto, a adubação com quantidades fixas de N, P e K não parece adequada para o manejo do sistema de produção de soja e milho em solos com esse padrão de fertilidade. Para otimização do dimensionamento das adubações é preciso investir em monitoramento do solo ao longo do tempo, ajustando o fornecimento de cada nutriente de forma individualizada, de acordo com um diagnóstico periódico da condição de fertilidade na lavoura".

Conclusões contundentes

O artigo publicado revela ainda que alguns autores sugerem que culturas mais responsivas, como a do milho, deveriam ser adubadas mais intensamente, enquanto as menos responsivas e de maior plasticidade, como a da soja, poderiam ser cultivadas apenas com a adubação de arranque e com a adubação residual da cultura anterior. Paradoxalmente, não é esta a constatação mais comum no campo. No estudo de caso relatado no artigo, a adubação otimizada representaria uma economia expressiva no uso de fertilizantes. "A dose de fertilizante normalmente utilizada na fazenda para a adubação de semeadura do milho (359 kg/ha) poderia ser reduzida em 47 kg/ha (13%), uma vez que a dose de máxima eficiência econômica foi de 312 kg/ha. Além disso, a adubação de cobertura nitrogenada poderia ser reduzida de 350 kg/ha para 263 kg/ha, ou em 25%. A soja, por sua vez, dispensaria adubação".

 

 

Portanto, de acordo com o pesquisador Álvaro Resende, o agricultor deve seguir estratégias como o monitoramento do solo e ter conhecimento das taxas de exportação de nutrientes pelas colheitas das culturas e avaliar o balanço de nutrientes no sistema para depois definir a necessidade de adubação. "Essas estratégias, relativamente simples e que podem ser incorporadas à rotina das fazendas, são decisivas quando se busca eficiência de gestão para maior competitividade na produção de grãos, com ganho de rentabilidade", diz. Ainda segundo ele, o monitoramento do sistema de produção por meio de análises de solo e a avaliação econômica realizada nos estudos conduzidos até agora indicam a necessidade de se reavaliar o manejo da adubação em solos de fertilidade construída, visando o uso mais eficiente de fertilizantes.

Fonte: https://www.agrolink.com.br

Imagem créditos: Álvaro Resende

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Valor Bruto da Produção (VBP) do milho registrou crescimento de 38,46% este ano, passando de R$ 3,9 bilhões em 2016 para R$ 5,4 bilhões na temporada atual. O indicador é a expressão monetária da soma de todos os bens e serviços produzidos no agronegócio num dado período de tempo.

Para se ter uma ideia, a estimativa do VBP total da agropecuária brasileira de 2017 é calculado em R$ 546,3 bilhões. Trata-se do melhor resultado dos últimos 27 anos, com um montante 5,3% superior ao do ano passado, que foi de R$ 519 bilhões. 

Destaca-se o crescimento do valor do milho que, neste ano, foi 25,7% superior a 2016 (que registrou resultado negativo). Como parâmetro, a produção de milho em 2017 deve influenciar em até 8,4% no Valor Bruto da Produção Agropecuária do Mato Grosso do Sul, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). 

Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli, a elevação do VBP do milho neste ano mostra que a cultura está ganhando contornos de boa valorização. Para ele isto demonstra que o milho continua sendo importante na produção agrícola, ganhando reconhecimento do mercado. 

Ex-ministro da Agricultura, Paolinelli ressalva que é preciso ter políticas públicas que consolidem essa retomada, com planos de apoio à produção que tenham regras claras e de longo prazo. “O governo precisa apoiar o produtor porque é o agronegócio que tem gerado a maior parte das riquezas no Brasil”, assinala.
 

Outras Culturas

Além da safra de 234,3 milhões de toneladas estimada pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o aumento da produtividade, da ordem de 21%, é outro fator relevante no incremento do VBP agrícola deste ano. As lavouras devem ter aumento de 11,3% em valor, totalizando R$ 376,3 bilhões, com valor bruto das principais lavouras estimado em 69%. 

De acordo com o coordenador-geral de Estudos e Análises do Mapa, José Garcia Gasques, a maior parte das lavouras tem apresentado desempenho melhor do que em 2016. Preços e maior produção são os principais responsáveis por isso.

Com Agência Abramilho de Notícias

Créditos: FILHO, Olímpio Pereira de Oliveira/Embrapa

Por: AGROLINK -Leonardo Gottems 

 
 
 
  
 

Os mecanismos genéticos e celulares que levam à formação ou ausência da semente na uva (apirenia) acabam de ser desvendados pela equipe do Laboratório de Genética Molecular Vegetal da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves (RS), em conjunto com cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A descoberta tem potencial de acelerar e subsidiar pesquisas para desenvolver uvas sem sementes, por meio do uso de técnicas de biotecnologia.

Apesar da ampla apreciação das uvas de mesa sem sementes, que vem crescendo ano a ano, pouco se sabia sobre os mecanismos celulares e genéticos responsáveis pelo desenvolvimento delas. Os brasileiros identificaram o papel do gene VviAGL11 no desenvolvimento de sementes nas uvas. A descoberta foi registrada em artigo publicado no Journal of Experimental Botany,  editado pela Universidade de Oxford, Inglaterra.

O grupo liderado pelo pesquisador da Embrapa Luís Fernando Revers apresentou de forma inequívoca os resultados das pesquisas que desvendaram grande parte da biologia por trás da ausência de sementes de uvas de mesa, mostrando o papel principal do gene VviAGL11. “O artigo é bastante completo e descreve o gene, sua estrutura genética, a regulação de sua expressão e os efeitos de sua função na formação das sementes de videira”, informa Revers, que coordena o Laboratório de Genética Molecular Vegetal, na qual foram desenvolvidas partes importantes da pesquisa.

“Desde que cheguei à Embrapa Uva e Vinho, em 2001, uma das missões às quais fui incumbido foi  ajudar a desvendar como funciona a ausência de sementes. Fico feliz em escrever essa parte importante da história”, comemora Revers. O resultado apresentado nesse artigo engloba o conhecimento agregado ao longo desses 16 anos, com a participação de analistas, bolsistas de iniciação científica, mestrandos e doutorandos trabalhando em equipe.

Segundo Jaiana Malabarba, uma das autoras do estudo, cuja tese de doutorado foi a base do artigo, o objetivo era compreender o papel do gene VviAGL11 durante a formação da semente.  Para isso, o gene foi estudado nas cultivares Chardonnay (com semente) e Sultanina (sem semente), utilizando sequenciamento alelo-específico, hibridização in situ, análise de expressão por RT-qPCR e complementação de fenótipo na planta modelo Arabidopsis thaliana.

“Com isso, identificamos que os níveis de transcritos de VviAGL11 aumentaram significativamente na segunda e na quarta semanas após a floração em sementes de ‘Chardonnay’, especificamente na camada dupla do integumento médio da semente, sendo essa camada responsável por formar a casca das sementes, o que sugeriu a relação desse gene com a formação das sementes”, informa Jaiana. Ela complementa que na cultivar ‘Sultanina’ o gene não é expresso durante o desenvolvimento do fruto e da semente, o que resultaria na ausência de semente nessa cultivar, hipótese que foi comprovada. “Fica claro que quando o gene está funcionando corretamente essa camada se desenvolve e tem papel decisivo na formação de uma semente normal, caso contrário a semente não consegue crescer e fica apenas como um traço, encontrado nas uvas apirênicas”, detalha Jaiana.

Após a publicação do artigo no Journal of Experimental Botany, a equipe tem recebido contatos de laboratórios de diferentes países, principalmente da China. “Tinha a expectativa de que a repercussão do artigo fosse boa, mas estou surpreendido como grupos de pesquisa de outros países também estavam em busca dessas respostas e agora nossos achados estão auxiliando outros cientistas”, comenta Revers.

Segundo ele, o trabalho representa um avanço para auxiliar os programas de melhoramento genético no planejamento de cruzamentos e na seleção de uvas apirênicas. “A aplicação do conhecimento a longo prazo tem potencial de ajudar o desenvolvimento de novas cultivares, facilitando o trabalho e reduzindo o tempo. “A expectativa é de transformar esse conhecimento em uma ferramenta de modo a que, antes mesmo de produzir a fruta, com testes de DNA, pode-se saber se a uva irá ter sementes ou não”, disse o pesquisador. A equipe continua trabalhando e o próximo desafio é avaliar a utilização desse gene em videiras adultas. “Com isso, a intenção é  modificar o tamanho das sementes, tornando-as menores, por exemplo, por meio do silenciamento do gene VviAGL11”, antecipa.

O chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Zanus, relembra que faz quase 20 anos que a Embrapa Uva e Vinho passou a desenvolver novas variedades de uva sem semente, empregando técnicas de resgate de embriões e do melhoramento clássico de plantas. “Agora, com estes estudos que identificam os genes responsáveis pelo caráter sem semente, avançamos na base científica que regula essa importante tecnologia, abrindo as portas para aperfeiçoarmos o melhoramento genético da videira, reduzindo seus custos e acelerando o desenvolvimento de novas variedades", avalia.

Desafios

Segundo Revers, na última década o gene vinha sendo apontado como o possível responsável pelo desenvolvimento das sementes, mas ninguém conseguiu reunir provas para fazer esta afirmação. O pesquisador relata que a maior parte das características agronômicas de interesse, como a presença ou ausência de sementes ou a resistência  a doenças, possui a influência de um número muito grande de gens, às vezes dezenas, o que torna o assunto tão complexo, podendo ser comparado ao provérbio de “procurar uma agulha num palheiro. “O maior mérito da nossa equipe foi estabelecer e propor estratégias de investigação para reunir evidências. Também contamos com uma feliz coincidência da natureza: a presença de um marcador microssatélite posicionado em cima do gene, o que ajudou na sua descoberta”, comenta.

A equipe da Embrapa Uva e Vinho contou com a parceria de importantes instituições de pesquisa, dentre elas a UFRGS e a Unicamp, fundamentais na condução de estudos anatômicos e morfológicos para documentar as variações que acontecem com a presença ou ausência do gene VvAGL11.

O professor Marcelo Carnier Dornelas, coordenador-geral de Pós-Graduação do Instituto de Biologia da Unicamp, ajudou a demonstrar e registrar como o gene se expressava durante o desenvolvimento da semente. Já a participação do professor da UFRGS Jorge Ernesto de Araújo Mariath foi decisiva para o registro fotográfico do desenvolvimento da semente e sua interpretação, etapas fundamentais para ajudar a registrar claramente as diferenças entre o desenvolvimento normal da semente e a formação do fruto apirênico.

Mariath acredita que essa descoberta abre "uma janela do conhecimento sobre a regulação gênica em trabalhos de estrutura & função", extremamente atuais para a comunidade internacional. "Isso garantiu uma nova posição internacional do Brasil. O trabalho desenvolvido foi magnífico e só possível graças ao trabalho integrado que reuniu especialistas de diferentes instituições e áreas de conhecimentos complementares”, avaliou. 

A comprovação molecular, genética e fisiológica da ação do Gene VvAGL11 no desenvolvimento da semente, para o professor Giancarlo Pasquali, da UFRGS, foi uma descoberta muito relevante. “Essa ferramenta será muito importante para manipular e gerar videiras sem sementes ou mesmo  reverter o processo e gerar plantas com sementes, e pode ser aplicado não somente a videiras, mas em outras plantas”, comentou.

Leia aqui o artigo The MADS-box gene Agamous-like 11 is essential for seed morphogenesis in grapevineescrito por Jaiana Malabarba, Vanessa Buffon, Jorge E.A. Mariath, Marcos L. Gaeta, Marcelo C. Dornelas, Márcia Margis-Pinheiro, Giancarlo Pasquali e Luís F. Revers.

Viviane Zanella (MTb 14004/RS) 

Embrapa Uva e Vinho 
 
Telefone: (54) 3455-8084

Foto: Viviane Zanella

Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)

www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

A armazenagem de milho safrinha a céu aberto no Centro-Oeste brasileiro voltou a acionar o sinal de alerta para os históricos problemas de armazenagem no País. “Temos que lembrar que muitos armazéns de cooperativas e cerealistas ainda tem trigo estocado: cerca de 1,1 milhão de toneladas (MT) entre PR e RS, e se aproxima a colheita de mais trigo (5,4 MT)”, aponta a Consultoria Trigo & Farinhas.

O Brasil colhe neste momento uma super-safra de milho safrinha (63,52MT contra 40,77MT do ano passado), soja (setembro-dezembro – 113MT contra 95MT do ano passado) e milho verão (janeiro-fevereiro – 30MT, contra 23MT do ano passado). Serão nada menos que 48 milhões de toneladas a mais para armazenar nos próximos 8 meses.

A ONU recomenda que a capacidade de armazenagem de grãos de um país seja de 1,2 vezes a sua safra anual. A do Brasil, porém, é de apenas 0,71 vezes (produzimos cerca de 234MT e nossa capacidade de armazenagem é de 166MT, segundo o IBGE), não atingindo, portanto, o índice considerado adequado.

“Com isto, a armazenagem poderá ser um fator negativo para os preços a médio e longo prazos. Para evitar perder produto deteriorado a céu aberto ou por não ter espaço para armazená-los, os produtores poderão acreditar que vender a um preço menor seja o mal menor”, lembra o analista sênior da T&F, Luiz Carlos Pacheco. 

“Isto vale principalmente para o milho (que sofre com a retração do mercado de carnes), mas também para a soja, embora menos, porque esta tem demanda internacional ativa. No que se refere ao trigo, é também um fator limitante para novas elevações dos preços, embora uma alta de 20% já esteja cristalizada até este momento, mas poderá ser reduzida levemente com a safra, por pressão da colheita, voltando os preços a subirem depois de janeiro”, conclui.

Fonte: www.agrolink.com.br

Foto: FILHO, Olímpio Pereira de Oliveira/Embrapa

Agricultores apostam na tecnologia para garantir mais produtividade por hectare e obter os melhores resultados na safra.

A ferrugem é uma doença agressiva, de difícil controle e que vem se tornando resistente a vários defensivos agrícolas. Apostar no defensivo agrícola correto e adotar alguns hábitos na lavoura, auxilia no controle efetivo da doença:

Confira algumas dicaspara um manejo eficiente:

  • Aplique fungicidas de maneira preventiva.
  • Respeite os intervalos entre as aplicações e doses recomendadas.
  • Associe multissítios aos fungicidas com modo de ação específico.
  • Rotacione os fungicidas utilizando os grupos químicos disponíveis, como triazóis, estrobilurinas, carboxamidas, morfolinas e multissítios.
  • Faça, no máximo, duas aplicações de carboxamida ao longo do ciclo.
  • Faça a rotação de culturas.
  • Priorize a semeadura em épocas menos propícias ao desenvolvimento da doença.
  • Utilize tecnologias de aplicação eficientes.
  • Priorize variedades com maior tolerância genética.
  • Respeite o “vazio sanitário”.
 

Pesquisas indicam que, ao longo dos anos, o fungo causador da Ferrugem Asiática tem se tornando resistente e, para não comprometer sua performance, produtores vem buscando diferentes ferramentas para assegurar a produtividade. Escolher o defensivo agrícola correto é o primeiro passo para um manejo seguro.  

“Gostamos muito da BASF, somos muito felizes com a relação não só pelos produtos e pelos programas, mas também e principalmente porque esta companhia está além desses produtos, agregando novas ferramentas que de fato contribuem no dia a dia do nosso negócio.Certamente em função dos resultados que nós temos tido na fazenda eu recomendo o uso do fungicida Ativum®. Todas as áreas que colhemos esse ano, nós tivemos uma produtividade melhor que do ano anterior.” diz o produtor Guilherme Almeida, da Fazenda Alvorada, em Uberlândia/MG.

Clique para ver o depoimento completo: https://youtu.be/GcsoSH_gquY

Fonte: https://www.agrolink.com.br

Na safra 2014/2015, seis por cento da produção brasileira de grãos de soja teve algum tipo defeito, indicando que existe espaço para melhoria na qualidade da soja brasileira. Esse é um dos dados de um estudo inédito da Embrapa Soja (PR), realizado junto ao setor produtivo, que acompanhará quatro safras consecutivas da soja e gerará soluções para incrementar a qualidade de soja no Brasil. “Esse monitoramento revela como algumas práticas de produção podem melhorar ou piorar a qualidade do grão e da semente comercializados. Conhecendo a fundo esses aspectos, podemos ajudar o Brasil a alcançar novos patamares de qualidade”, explica Irineu Lorini, pesquisador da Embrapa Soja e coordenador do estudo que acompanhará os resultados das safras brasileiras até 2017/2018. 

Os primeiros dados, obtidos no monitoramento da safra 2014/2015, já fornecem subsídios importantes para a adoção de melhorias. Lorini explica que a média de grãos avariados foi de 6%, e esse grupo soma os grãos mofados, ardidos, queimados, fermentados, imaturos, chochos, germinados e danificados por percevejo. Apesar de estar dentro da exigência legal brasileira, cuja determinação é para que o armazenador tolere até 8%, há regiões que apresentaram amostras de até 30% de grãos avariados. “Esses casos representam prejuízo para o produtor, porque o armazenador pode descontar o percentual que estiver avariado, já que esse material tem baixa qualidade para a indústria”, avalia o cientista da Embrapa. “Temos condições de melhorar esse índice, beneficiando tanto produtor como a indústria”, defende.

Outro aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores foi o índice de dano causado por percevejos nos grãos de soja. Os maiores índices foram registrados no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, com percentagem das amostras variando de 25% a 35% de grãos danificados pela praga. “Isso indica que é preciso investir mais no Manejo Integrado de Pragas nas lavouras de soja para reduzir esse índice”, avalia Lorini. “Também destaco como elevados os danos mecânicos e alguns defeitos dos grãos. Por isso, é preciso melhorar o manejo da colheita e do processamento para se obter redução nesses danos”, recomenda. 

Teor de proteína, óleo e clorofila nos grãos
Com relação ao teor de proteínas da soja, cuja média nacional foi 36,18%, houve grande variação entre as microrregiões de cada estado, com amostras entre 30 e 41% de teor de proteína no grão. Os teores mais altos de proteínas foram encontrados nos estados de Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, e os teores mais baixos no Estado de São Paulo. 

Quanto mais alto o teor de proteínas nos grãos, tanto melhor será para a produção de farelos com teores de proteína mínimos exigidos pela legislação, atingindo-se até o ideal para a produção do farelo com alto teor de proteína (farelo HIPRO que contém 48% de proteínas e máximo de 2,0% de gordura). “Quanto maior o teor de proteínas nos grãos utilizados como matéria-prima para produzir farelos, tanto menores serão os processos utilizados pela indústria para se adequar aos padrões”, explica o pesquisador José Marcos Gontijo Mandarino, da Embrapa Soja.

No indicador referente ao teor de óleo, a média nacional foi em torno de 22%, não se observou grande variação entre as microrregiões dos estados e nem entre os estados. “Esse valor é considerado muito bom pelas indústrias esmagadoras de grãos e produtoras dos diferentes tipos de óleo de soja comercializado”, explica Mandarino.

Já o índice de acidez do óleo médio registrado no Brasil foi de 2,24%. O Estado estado de Goiás apresentou médias superiores a 4% nos grãos, o que é bem superior ao 0,7% que a indústria preconiza para o índice ótimo de acidez no óleo do grão de soja. “Por outro lado, Santa Catarina apresentou os menores índices de acidez, com média de 1,06%, bastante próximos do ótimo preconizado pela indústria”, salienta o pesquisador Marcelo Álvares de Oliveira, da Embrapa Soja. As diferenças entre os estados são atribuídas a diferentes condições climáticas e de manejo da cultura. 

Pesquisadores da Embrapa também avaliaram a presença de clorofila nas amostras. A clorofila é o pigmento responsável por captar a luz e garantir que a planta produza energia, via fotossíntese. O problema é que a presença de clorofila nos grãos colhidos está associada aos grãos verdes, o que é indesejável. “Esses grãos verdes acarretarão prejuízos para a indústria de extração de óleo, devido ao maior gasto para efetuar o clareamento do óleo”, explica Oliveira. A Bahia apresentou a maior média de grãos verdes (10,77 miligramas por quilo), e os menores índices foram em Santa Catarina (média de 0,96 miligramas por quilo) e Mato Grosso (média de 1,42 miligramas por quilo).

Estudo traça projeta raio X da semente de soja
Na safra de 2014/2015, o Brasil produziu 2,3 milhões de toneladas de sementes de soja, o que representa 63% de todas as sementes utilizadas no País, de acordo com a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem). “Por estarmos em uma região de clima tropical, a produção de sementes de qualidade só é possível, mediante a adoção de técnicas especiais”, explica o pesquisador José de Barros França Neto, da Embrapa Soja.

Do ponto de vista sanitário, a qualidade da semente foi muito boa, na safra 2014/2015. “Houve casos bastante pontuais com problema de infecção de fungos ou presença de bactérias”, explica o pesquisador Ademir Assis Henning, da Embrapa Soja. O patógeno de maior ocorrência foi o fungo Cercospora kikuchii, que causa a mancha púrpura da semente e que pode ocasionar as chamadas doenças de final de ciclo (DFCs). “Na semente, este fungo não causa problemas e é facilmente controlado pelos fungicidas usados no tratamento de sementes”, salienta Henning. 

Capacitação para redução de danos mecânicos
Os danos mecânicos, provocados especialmente durante a colheita, foram considerados expressivos pelos pesquisadores. Os mais altos índices de danos desse tipo foram constatados no Rio Grande do Sul (10,1%), Minas Gerais (8,3%), Paraná (7,9%) e Goiás (7,5%). Os demais estados apresentaram valores um pouco abaixo da média brasileira (6,8%). “A principal fonte de ocorrência de danos mecânicos é a operação de trilha, durante a colheita”, afirma o pesquisador Francisco Carlos Krzyzanowski. “Dessa forma, é de extrema importância e prioridade que os produtores de sementes de soja invistam em treinamentos intensivos, visando à redução da ocorrência desse tipo de problema durante a colheita”, ressalta.

O dano causado pela deterioração por umidade foi o segundo mais importante parâmetro que afetou a qualidade da semente de soja brasileira. Na média, os estados que apresentaram os maiores índices desse problema foram Goiás (4,3%), Santa Catarina (4,0%) e Mato Grosso do Sul (3,7%). “Elevados índices de deterioração por umidade estão relacionados ao atraso do início de colheita ou ao retardamento do início de secagem”, explica o pesquisador José de Barros França Neto.

Vigor
O vigor é o atributo de qualidade da semente que melhor expressa o desempenho da planta. Quanto ao vigor de sementes, o índice médio brasileiro da semente brasileira foi de 77,6%, o que é considerado um alto vigor, explica França. Os maiores índices foram observados para as sementes amostradas em São Paulo, Mato Grosso e Bahia, com valores de 82,9%, 82,4% e 85,6%, respectivamente. Os menores para os estados de Goiás (70,6%), Minas Gerais (74,1%) e Rio Grande do Sul (74,9%). Os demais, Santa Catarina (78,8%), Paraná (78,2%) e Mato Grosso do Sul (77,7%), apresentaram níveis de vigor próximos da média nacional.

Pureza varietal
No Brasil, o controle da identidade genética das cultivares comercializadas é garantido por meio de vistorias realizadas a campo. Dessa maneira, quanto maior a pureza genética, maior a garantia do desempenho adequado da cultura.  Os dados revelaram os seguintes índices de misturas por estado:  RS (1%), PR (1,2%), SP (14,3%), MG (11%) e BA (12%) de misturas. “Esses dados servem de alerta para a necessidade de atenção nas vistorias a campo”, avalia o pesquisador Fernando Henning.

O resultado completo do estudo da safra 2014/2015 está na publicação Documentos 378: Qualidade de Sementes e Grãos Comerciais de Soja no Brasil – safra 2014/2015. A equipe de pesquisa espera publicar os dados sobre a safra 2015/2016 no segundo semestre deste ano.

 

Lebna Landgraf (MTb 2903/PR)
Embrapa Soja

Como atender às exigências nutricionais humanas pelo menor preço? Para responder a essa pergunta, pesquisa coordenada pela Embrapa investigou alimentos e bebidas consumidos pelos brasileiros e calculou quanto custa atender 30% das necessidades diárias de oito nutrientes: proteína, cálcio, ferro, fibras e vitaminas A, C, D e E. O estudo aponta o leite como uma das fontes mais baratas de nutrientes que existem.

O leite integral, por exemplo, pode suprir 30% das necessidades de cálcio de um adulto saudável ao custo de apenas 97 centavos. A pesquisadora da Embrapa Gado de Leite Kennya Siqueira, que conduziu os trabalhos, diz que o consumidor teria que pagar mais de R$ 1.000,00 se desejasse obter a mesma quantidade de cálcio por meio de café expresso, caju ou chiclete. O leite é reconhecido como uma ótima fonte de cálcio, e a pesquisa apontou que a maioria dos produtos lácteos supre as necessidades de um indivíduo a um custo inferior a R$ 5,00.

Produtos derivados do leite também ocuparam as primeiras posições no ranking de custo da vitamina D e obtiveram boa colocação no ranking de proteína e vitamina A. Quanto à proteína, o leite integral perdeu apenas para carnes, amendoim moído e ovo de galinha. Já em relação à vitamina A, o lácteo mais bem colocado foi o creme de leite, seguido pelo leite em pó desnatado, leite semidesnatado, manteiga e requeijão. O custo para se adquirir 30% das necessidades diárias de vitamina A por meio desses derivados lácteos é de menos de R$ 2,00. Com o mesmo valor, pode-se adquirir 30% de vitamina D, consumindo leite pasteurizado, integral, semidesnatado e desnatado; ou leite em pó (desnatado e integral).

Dos oito nutrientes analisados, os lácteos apresentaram custo competitivo para quatro deles: proteína, cálcio e vitaminas A e D. “Além de reforçar a importância do leite e seus derivados na alimentação humana, o estudo mostra que consumir produtos lácteos faz bem não apenas para a saúde, mas também para o bolso do consumidor”, conclui Kennya.

Projeto Nutrileite
A pesquisa foi desenvolvida pela Embrapa Gado de Leite (MG), em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig). Denominado “Projeto Nutrileite”, o estudo utilizou como base de dados a tabela nutricional e os produtos presentes na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao todo foram investigados 443 alimentos e bebidas, dos quais 43 eram produtos lácteos. Para minimizar os efeitos da sazonalidade e da inflação, a coleta de preços foi efetuada em abril e outubro de 2016. Foram coletados os menores preços de todos os produtos, sem considerar preços promocionais, em 16 supermercados virtuais de dez estados da federação.
 

O cálculo do custo por nutriente seguiu a metodologia proposta pelos pesquisadores sul-africanos Friede Wenhold e Christine Leighton:
Pnp = (Nn.Pp)/Qn
Na fórmula, Pnp é igual ao custo do nutriente n no alimento p; Nn é igual a 30% da recomendação nutricional diária do nutriente n; Pp significa o preço de 100 gramas do alimento p e Qn é a quantidade de nutrientes n presente em 100 gramas do alimento.

 

Os nutrientes selecionados foram baseados na definição de alimento saudável da agência americana Food and Drug Administration e nas deficiências nutricionais da população brasileira, segundo o IBGE. Foi considerado o atendimento de 30% das recomendações nutricionais diárias de um adulto saudável. Com base no resultado obtido, os produtos foram ranqueados do menor para o maior preço.

Leite e saúde
Nos últimos anos, surgiram movimentos contrários ao leite na alimentação, alguns deles ligados ao ativismo vegano, que recomenda a exclusão de qualquer alimento de origem animal da dieta. O principal argumento é de que o ser humano é o único mamífero que continua a beber leite após o período da amamentação. A professora da UFJF Mirella Binoti, que participou do Projeto Nutrileite, argumenta que não há qualquer problema no consumo de leite na fase adulta, a menos que a pessoa apresente intolerância à lactose ou alergia a alguma de suas proteínas. Do contrário, o leite só traz benefícios à saúde.

Mesmo em relação à intolerância à lactose, existem alternativas para continuar se beneficiando dos nutrientes do leite. É possível optar por produtos de baixa lactose, como iogurtes e alguns queijos. Há também uma grande variedade de produtos lácteos com “zero lactose”. A alergia à proteína do leite já é um problema um pouco mais complexo. Enquanto a intolerância à lactose costuma se manifestar na fase adulta, a alergia é uma reação imune do organismo, que geralmente ocorre nos primeiros meses de vida. Trata-se de um distúrbio potencialmente grave, de diagnóstico mais difícil se comparado à intolerância à lactose. Nesse caso, deve-se excluir qualquer produto que contenha a proteína do leite da dieta.

Ativismos à parte, por mais de cinquenta anos o leite esteve associado ao aumento de doenças cardiovasculares. Ainda hoje, órgãos de saúde pública de todo o mundo recomendavam que a ingestão de gordura de origem animal, as chamadas gorduras saturadas, seja evitada. O argumento é que as gorduras saturadas aumentavam o colesterol ruim (LDL), associado ao derrame e ao infarto. Mas, nas duas últimas décadas, isso tem sido fortemente questionado por alguns cientistas.

Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Marco Gama, que também atuou no Projeto Nutrileite, estudos científicos têm mostrado que, embora a gordura saturada promova aumento do colesterol, não há evidências de que a ingestão da gordura do leite aumente o risco de doenças cardiovasculares. “Nem toda a gordura saturada é igual”, afirma Gama. “Existem gorduras que elevam o LDL, mas outras promovem um aumento do HDL, que é um tipo de colesterol benéfico à saúde”, explica. Além disso, sabe-se atualmente que o colesterol LDL se divide em dois tipos de partículas: grandes e pequenas. As partículas grandes, que não estão associadas a riscos cardiovasculares, são as aumentadas pelas gorduras saturadas.

O leite de ruminantes (vacas, búfalas, cabras etc.) possui ainda alguns componentes que não são encontrados em quantidades significantes em outras fontes de gordura. É o caso do Ácido Linoleico Conjugado (CLA). Pesquisas com animais e culturas de células demonstraram que o CLA protege o organismo contra alguns tipos de câncer, além de ter ação anti-inflamatória. Para fechar o quadro de benefícios do leite, há evidências científicas de que a gordura do leite reduz o risco de obesidade, do diabetes do tipo 2 e da síndrome metabólica (HDL baixo; triglicérides altos; glicemia alta em jejum; sobrepeso e pressão arterial alta). Mesmo diante de tantos benefícios, Mirella alerta que nenhum alimento, sozinho, é capaz de suprir todas as exigências do organismo. Uma dieta variada, com boas fontes de gorduras e proteína, frutas, verduras e legumes é insubstituível.

Dia do Leite
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) escolheu o primeiro de junho para se comemorar o Dia Mundial do Leite. Diversos países da União Europeia já celebravam a data com eventos nacionais. O objetivo do “Dia Mundial” é incentivar o consumo de lácteos pela população.
 

Os cinco primeiros colocados
Confira quanto custa obter quatro nutrientes essenciais para a saúde*

Cálcio
Ovomaltine (derivado lácteo) - R$ 0,87
Leite integral - R$ 0,97
Leite pasteurizado - R$ 1,00
Leite semidesnatado - R$ 1,04
Leite em pó integral - R$ 1,09

Vitamina D
Leite semidesnatado - R$ 1,19
Leite integral - R$ 1,38
Leite pasteurizado - R$ 1,41
Leite em pó integral - R$ 1,54
Leite em pó desnatado - R$ 1,55

Proteína
Frango inteiro - R$ 0,59
Frango em pedaços - R$ 0,68
Peito de galinha - R$ 0,72
Steak de frango - R$ 0,78
Filé de frango - R$ 0,82

Com relação à proteína, o leite integral foi o produto lácteo melhor ranqueado, ao custo de R$ 1,59.

Vitamina A

Fígado bovino - R$ 0,04
Patê - R$ 0,11
Inhame - R$ 0,18
Cenoura - R$ 0,20
Batata-doce - R$ 0,22

Com relação à vitamina A, o creme de leite foi o produto lácteo melhor ranqueado, ao custo de R$ 1,14, seguidos pelo leites semidesnatado (R$ 1,60) e integral (R$ 2,90). 

Vitamina C

Suco de acerola - R$ 0,01
Goiaba - R$ 0,13
Laranja -  R$ 0,20
Coentro - R$ 0,35
Lima - R$ 0,41

Ferro

Fibra de cereal - R$ 0,66
Marisco - R$ 0,93
Coentro - R$ 0,93
Neston - R$ 1,23
Fígado bovino - R$ 1,27

Fibra

Fibra de cereal - R$ 0,35
Coco-da-baía - R$ 1,19
Farinha de milho - R$ 1,20
Farinha de mandioca - R$ 1,30
Farofa pronta - R$ 1,51

* Preço para suprir 30% da necessidade diária de uma pessoa saudável.

Foto: Humberto Nicoline

Rubens Neiva (MTb 5445/MG) 

Embrapa Gado de Leite

Telefone: (32) 3311-7532

A produção brasileira de soja bateu recorde ao atingir as 112,5 milhões de toneladas, de acordo com dados divulgados pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) referentes ao acumulado na parcial do ano até abril. O resultado representa um crescimento de 16,94% sobre as 96,199 milhões de toneladas de 2016. Um dos destaques é o processamento, que chega a 41 milhões de toneladas – que também atingiram os maiores valores nos últimos dez anos. O número significa um aumento de 3,71% sobre as 39,531 milhões de toneladas do ano passado. Foram produzidas 8,1 milhões de toneladas de óleo vegetal até agora em 2017, o que representa a maior marca da série histórica da Abiove. O resultado é 2,72% maior que as 7,885 milhões de toneladas de 2016. O consumo doméstico chegou a 6,9 milhões de toneladas nesta temporada – também um recorde. Fonte: www.agrolink.com.br Imagem créditos: Abiove
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