Medicina tradicional mostra eficácia no alívio da dor entre indígenas

A pesquisadora considera a automedicação uma prática perigosa, por resultar, em muitos casos, no uso de remédios inadequados. “A insatisfação com o remédio convencional também pode ter um viés de origem da automedicação, e não só dos profissionais prescritores dos tratamentos ofertados.”

Ministério da Saúde

Questionado sobre os resultados da pesquisa, o Ministério das Saúde destaca que são vários os fatores que permeiam as questões relacionadas à eficácia de “remédios de branco” e das práticas da medicina tradicional indígena. Um dos fatores é o acesso e conhecimento construído em torno desses saberes. “A orientação é para que os profissionais de saúde atuem em diálogo permanente com os saberes indígenas.”

Segundo o ministério, a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas reconhece a eficácia da medicina tradicional e estabelece sua articulação com o sistema oficial de saúde. “O Ministério da Saúde também empreende ações de educação permanente em saúde, com foco nas especificidades da saúde indígena.” Atualmente, são oferecidos três cursos, e dois contam com participação de trabalhadores do Distrito Sanitário Especial Indígena do Vale do Javari”, informou a pasta.

Sistematização

A sistematização dos conhecimentos da medicina tradicional indígena pode beneficiar a população em geral, afirma a orientadora da pesquisa, Eliseth Ribeiro Leão, professora da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. “É preciso sistematizar esse conhecimento, hoje confinado nas aldeias e com os pajés. Nossa preocupação é que se vá perdendo esse conhecimento ancestral e que, daqui a pouco, ele deixa de existir.”

A professora defende uma confluência de interesse de pesquisadores e políticas públicas para sistematizar essa sabedoria. “Na etnia dos marubos, por exemplo, eles mostraram para a gente o breu branco misturado com urucum com que fazem uma aplicação tópica [para dor].” Eliseth destaca que o breu branco e o urucum têm propriedades anti-inflamatórias. “Eles usam extratos vegetais que têm propriedades, uma série de medicamentos nossos vem desses extratos vegetais. Eles usam e a dor melhora.”

Eliseth reforça que o SUS poderia se beneficiar da medicina tradicional indígena. “Teríamos uma nova fonte de conhecimento e ampliação nas terapias complementares que hoje estão instituídas no SUS.”

Edição: Nádia Franco
Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil

Rate this item
(0 votes)
Login to post comments
Topo