Infarto também deve ser preocupação entre os jovens

De acordo com o Ministério da Saúde, quatro doenças relacionadas ao coração estão entre as 20 principais causas de mortes no país: infarto agudo do miocárdio, doenças hipertensivas, insuficiência cardíaca e miocardiopatias.

Como esses problemas atingem toda a população, é natural que as ocorrências também sejam registradas entre os jovens. Só que o número de vítimas que sofreram infarto com idade inferior a 40 anos vem aumentando, o que demonstra falhas na prevenção, seja com consultas e exames periódicos ou no baixo investimento pessoal em qualidade de vida.

Por falarmos em jovens, um assunto delicado merece ser mencionado: as drogas. O uso frequente e abusivo de substâncias como, por exemplo, cocaína e álcool, especialmente por pessoas fumantes, aumenta o risco mesmo em indivíduos com pouca idade e sem diagnóstico prévio de doenças coronárias. Com a aceleração do metabolismo, o coração acaba ficando sobrecarregado, o que pode ser fatal caso o órgão já esteja debilitado.

A condição cardiovascular não considera apenas o fator idade como sinônimo de saúde. A investigação do histórico familiar pode abrir caminho para a prevenção no momento adequado. Episódios de doenças coronárias e de acidente vascular cerebral (AVC) entre parentes próximos são sinais de alerta, com o objetivo de descartar um problema hereditário congênito.

Um exemplo de doença que exige investigação é a cardiomiopatia hipertrófica, que possui origem genética. À medida que o músculo do coração (miocárdio) engrossa, fica mais difícil bombear o sangue. Essa condição pode levar o indivíduo a sentir dificuldades respiratórias durante a prática de exercícios, entre outros sintomas.

Lembra do pensamento popular de que o infarto em jovens é mais forte? Em parte, pode ser explicado porque as pessoas mais velhas contam com um fator de proteção chamado circulação colateral, quando vasos sanguíneos menores compensam momentaneamente a falta de irrigação provocada pelo entupimento de uma artéria, possibilitando o socorro.

Como em indivíduos jovens o coração pode não ter tido tempo em criar essa compensação, o índice de mortalidade pode ser maior, mesmo que o número de casos não ocorra na mesma proporção que na população mais velha. Por essa razão, hábitos pouco saudáveis aceleram o entupimento de artérias e sobrecarregam o funcionamento do órgão.

Cautela na prática de exercícios

Se a idade não impede o surgimento de doenças coronárias, também não dá condição para a prática esportiva sem acompanhamento. O jovem, muitas vezes, acha natural desempenhar o esporte além do limite, especialmente no caso dos sedentários. Caso o indivíduo seja portador de cardiomiopatia hipertrófica, como citado acima, o esforço pode levar à ocorrência de algum problema, até de morte súbita.

É importante reforçar a necessidade do jovem, com a pretensão de praticar um esporte de forma intensa, ou como profissional, passar por avaliação cardiológica adequada e realizar exames específicos.

Nesse momento, o exame de esforço na esteira é eficiente para indicar alterações como o fluxo sanguíneo reduzido (isquemia cardíaca). Se o indivíduo for muito jovem, e não indique a doença obstrutiva por gordura, o especialista pode fazer a pesquisa utilizando exames modernos como a angiotomografia de artérias coronárias, que utiliza equipamentos de tomografia computadorizada e permite a visualização em 3D.

Estas pessoas, embora não apresentem sintomas evidentes ou limitações físicas, precisam passar por essa investigação para evitar todo tipo de risco. Além da angiotomografia, os especialistas podem solicitar ultrassom do coração, chamado de ecocardiograma, o eletrocardiograma de repouso e o mapeamento de fluxo coronário, de acordo com a necessidade. Para os jovens atletas, o exame cardiopulmonar permite analisar de forma detalhada a condição não só do coração, mas também do pulmão.

E como evitar esse quadro em pessoas jovens? Investigação e qualidade de vida. Acompanhar o histórico familiar é tão importante quanto evitar o sedentarismo, se alimentar de forma equilibrada, não fumar ou usar drogas. O infarto pode parecer algo distante quando se é jovem, mas os casos crescentes mostram que, para pensar em saúde, não existe idade.

Escrito por Paulo Chaccur
Cardiologia - CRM 22868/SP
Fonte: www.minhavida.com.br
Rate this item
(0 votes)
Login to post comments
Topo