Estudo inovador conseguiu alimentar um microprocessador do tamanho de uma pilha AA, utilizando apenas energia produzida por microalgas por mais de 6 meses
Saber o que está acontecendo a cada momento é imprescindível e extremamente necessário no mundo atual, e nos tornamos cada dia mais um ser ubíquo, dependente das tecnologias da informação e da Internet das Coisas (IoT). Assim, é inconcebível um mundo sem internet, computadores, celulares, smartwatches, smarthomes, entre outros diversos aparelhos que tornam a vida humana cada dia mais fácil e conectada.
Mas, para conseguir manter tudo isso em funcionamento, é necessário dispor de muito material energético – e, de preferência, que seja limpo, renovável e sustentável. E é nesse tipo de direção que muitas pesquisas científicas têm caminhado na última década. A mais recente delas foi publicada na revista Energy & Environmental Science, intitulada “Alimentando um microprocessador pela fotossíntese”, em tradução livre. O estudo inovador, da universidade de Cambridge, conseguiu alimentar por mais de seis meses um microprocessador do tamanho de uma pilha AA, utilizando apenas energia produzida por microalgas.
De acordo com os resultados, os cientistas produziram energia biofotovoltaica usando cepas de cianobactérias de água doce, chamada Synechocystis, uma espécie de microalga, em um ânodo de alumínio para transmitir energia para um Arm Cortex M0+, um microprocessador usualmente utilizado em aplicações de Internet das Coisas. Esse ânodo foi construído no tamanho de uma pilha AA, utilizando alumínio comum – um material durável, barato e largamente reciclado. Os resultados foram surpreendentes: os cientistas perceberam que, mesmo ao iluminar as algas com iluminação artificial, elas continuavam produzindo energia suficiente para manter o microprocessador ligado por mais de seis meses.
Essa foi a primeira vez que os cientistas conseguiram produzir energia de algas em microescala, o que abre caminhos para apostar no futuro dos aparelhos eletrônicos que utilizam IoT, usados cotidianamente, visto que já existem bilhões deles, e a expectativa é que cresça para mais de um trilhão até 2035, exigindo um vasto número de recursos energéticos em um futuro não tão distante.
O que é a Internet das Coisas?
A Internet das Coisas (IoT) é um conceito desenvolvido em 1999 pelo cientista britânico Kevin Ashton, que se refere a objetos físicos que utilizamos em nosso cotidiano que, ao serem interconectados digitalmente à internet, por meio de sensores ou softwares, permitem reunir e trocar dados em tempo real. Os dispositivos podem ser os mais variados, como celulares, computadores, relógios, óculos, máquinas de lavar, geladeiras, ares-condicionados, carros, babás eletrônicas, etc.
Esses dados são armazenados em nuvem, e possuem uma integração cada dia mais sofisticada com a Inteligência Artificial, pois esses aparelhos permitem uma comunicação perfeita entre pessoas, processos e outros aparelhos, facilitando não apenas a vida cotidiana doméstica, mas as próprias empresas que estão se digitalizando cada dia mais. Entre os principais beneficiários da IoT, estão as empresas que vendem essa tecnologia, porém, mais que isso, as que se utilizam diretamente da integralização e interconexão que ela permite, como os e-commerces e as indústrias que, atualmente, estão investindo cada dia mais na automação dos serviços, tanto para tornar a indústria capaz de gerir suas próprias atividades, com menos erros e imprecisões, como para identificar as melhores estratégias das etapas do funil de vendas.