Modelo de comida a quilo ganha força com novo perfil do consumidor 

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Pesquisa da Abrasel aponta mudanças nos hábitos de consumo, enquanto restaurantes por quilo encontram oportunidades para se adaptar e atender novas demandas 

Os restaurantes por quilo voltaram ao centro das discussões do setor de alimentação fora do lar. A possibilidade de montar refeições sob medida e pagar apenas pelo que é consumido tornou esse modelo ainda mais alinhado às mudanças nos hábitos alimentares observadas nos últimos anos.  

Entre os fatores que ajudam a explicar esse movimento está o avanço do uso de medicamentos à base de semaglutida, as chamadas “canetas emagrecedoras”, que têm levado parte dos consumidores a reduzir a quantidade de alimentos consumidos em cada refeição. 

Levantamento da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) mostra que essa transformação já é percebida pela maioria dos empresários. Segundo a pesquisa, 61% dos bares e restaurantes identificaram mudanças no comportamento dos clientes associadas ao uso desses medicamentos.  

Entre os principais efeitos estão a redução no consumo de pratos principais e sobremesas, o aumento da procura por porções menores e a preferência por refeições mais leves. 

Os dados revelam que 56% dos empresários observaram queda nos pedidos de pratos principais, enquanto 65% perceberam mudanças no consumo de sobremesas, com casos de redução significativa na demanda. Além disso, 64% registraram aumento na procura por porções menores e no compartilhamento de pratos, comportamento que altera a dinâmica tradicional do consumo nos estabelecimentos. 

Embora o consumidor continue frequentando bares e restaurantes, ele passa a fazer escolhas mais moderadas, o que exige adaptação dos negócios. Nesse cenário, o modelo de comida a quilo ganha destaque justamente por oferecer flexibilidade para que cada cliente monte a refeição de acordo com seu apetite. 

Flexibilidade favorece consumidores e operação dos restaurantes 

A lógica do restaurante por quilo permite que o consumidor escolha a quantidade exata que deseja consumir, pagando apenas pelo peso do prato. Esse formato atende de forma natural à procura por refeições menores e mais equilibradas, sem a necessidade de reduzir a variedade oferecida pelo estabelecimento. 

Para os empresários, a adaptação também pode trazer vantagens operacionais. Como o consumo passa a refletir melhor a necessidade de cada cliente, o modelo contribui para reduzir desperdícios e oferece maior flexibilidade na composição do bufê, preservando a rentabilidade mesmo diante da redução do volume consumido. 

Além disso, o sistema cria oportunidades para valorizar ingredientes diferenciados, estimular combinações variadas e ampliar o ticket médio sem depender exclusivamente de porções maiores. 

Para Andrigo Silva, chef e proprietário do L’amour Restaurante, em Lages (SC), compreender esse novo comportamento do consumidor é fundamental para manter a competitividade. “Apesar de ter percebido uma redução na quantidade que o público consome, vejo que o consumo em si não diminuiu, ele apenas mudou. No restaurante, tenho disponibilizado opções mais leves e saudáveis, que têm se encaixado melhor na demanda.” 

Segundo ele, acompanhar essas mudanças faz parte da evolução natural do setor. “É normal que, com o tempo, aconteçam mudanças na dinâmica de consumo. Acompanhar essa tendência do mercado é importante para ajustar a operação conforme necessário.” 

Concurso destaca modelo genuinamente brasileiro 

O momento de valorização dos restaurantes por quilo também é refletido na décima edição do concurso O Quilo é Nosso, promovido pela Abrasel. Considerada a maior competição do país dedicada exclusivamente ao segmento, a iniciativa busca destacar a qualidade, a criatividade e a capacidade de inovação dos estabelecimentos que trabalham com esse formato. 

A primeira etapa acontece entre 14 e 24 de julho, período em que os restaurantes participantes apresentam um prato especial integrado ao bufê e avaliado por clientes e jurados técnicos. A etapa estadual será realizada entre 3 e 9 de agosto, enquanto a final ocorrerá nos dias 14 e 15 de setembro, durante o Salão Abrasel, em São Paulo. 

Além da competição, o concurso funciona como uma oportunidade para ampliar a visibilidade dos participantes, atrair novos consumidores e apresentar receitas que podem permanecer nos cardápios após o evento. 

Adaptação reforça a importância do modelo 

As mudanças provocadas pelas canetas emagrecedoras evidenciam uma transformação mais ampla no comportamento do consumidor, que passa a priorizar refeições mais leves, porções menores e maior autonomia na hora de escolher o que consumir. 

Nesse contexto, os restaurantes por quilo demonstram capacidade de adaptação ao oferecer exatamente a flexibilidade que esse novo perfil procura. Ao permitir refeições personalizadas, reduzir desperdícios e preservar a eficiência da operação, o modelo reforça sua relevância no setor de alimentação fora do lar. 

Mais do que acompanhar uma tendência, os estabelecimentos especializados em comida por quilo mostram como mudanças no comportamento do consumidor podem abrir espaço para inovação e novos formatos de gestão. Iniciativas como o concurso O Quilo é Nosso ajudam a dar visibilidade a esse segmento e evidenciam sua capacidade de se reinventar diante das transformações do mercado.