IA na educação: o professor é insubstituível

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A inteligência artificial já faz parte da rotina de estudo da maioria dos jovens brasileiros, mas poucos sabem usá-la bem. Esse cenário foi um dos principais debates da Bett Educar 2026, o maior encontro de educação e tecnologia da América Latina, realizado em maio em São Paulo. E a Designa, empresa especializada em design instrucional, marcou presença para contribuir com esse diálogo.

Na visão de Cíntia Costa, gerente de projetos da Designa, é necessário dialogar sobre a ética, colaboração e diversidade no uso das IAs para preparar educadores. Ela avalia que a tecnologia pode ser útil em práticas pedagógicas e no papel da gestão escolar para os desafios atuais.

"A integração das IAs deve ser guiada por princípios éticos sólidos e políticas públicas claras que garantam que a tecnologia sirva como um complemento, e não como um substituto, pois a interação humana é essencial no processo de ensino-aprendizagem. O professor é insubstituível e permanece no centro da experiência de aprendizagem, usando a IA como uma ferramenta, aliada, pois só o educador tem a capacidade de mediar, inspirar e contextualizar os temas abordados", afirma Costa.

Ela menciona que o assunto foi debatido em vários momentos da programação da Bett Educar, especialmente em uma palestra que reuniu o historiador Leandro Karnal e o cantor e compositor Leo Chaves. A conversa no evento trouxe a reflexão de que educar, liderar e conviver exigem não só o conhecimento, mas também escuta, consciência de si e compreensão do outro.

Para Karnal e Chaves, ao reconhecer o valor da inteligência humana em tempos de inteligência artificial, a sociedade transforma os desafios do presente em uma oportunidade de construir relações mais consistentes, uma educação mais significativa e um futuro com mais sentido.

"Na parte da educação, os principais desafios são a capacitação de professores e a implementação de IAs que não ‘vendam’ a ideia de solução pronta", pontua Costa. Ela lembra que a inteligência artificial já é utilizada por sete a cada dez estudantes do ensino médio no Brasil. No entanto, apenas 32% disseram ter recebido orientações sobre como utilizá-la, segundo a 15ª edição da TIC Educação, pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

O design instrucional contribui para tornar o uso da tecnologia mais eficiente e humanizado. O termo faz referência ao planejamento, estruturação e desenvolvimento de experiências de aprendizagem, como cursos, treinamentos e conteúdos educacionais. Logo, em vez de simplesmente "passar conteúdo", designers instrucionais pensam como as pessoas podem aprender com mais facilidade, desenvolvendo estratégias específicas para essa finalidade.

"No processo de planejamento e implementação de um projeto de curso online, primeiro entendemos o público do curso e qual o objetivo educacional para aí sim indicar a melhor ferramenta digital para aquele determinado objetivo, não o contrário. Isso depende de profissionais qualificados que consigam refletir sobre as melhores estratégias didáticas", detalha a gerente de projetos da Designa.

Entre os trabalhos recentes da empresa, está o desenvolvimento de um curso sobre anemia falciforme para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nesse projeto, foram utilizadas animações em 3D para ilustrar como a doença é causada por uma mutação no gene responsável pela produção da hemoglobina.

"Acreditamos que algumas ações são fundamentais no design instrucional, como uso pedagógico consciente, estabelecimento de limites saudáveis, educação digital crítica, incorporação de ferramentas online que incentivem a colaboração e a comunicação entre os alunos", conclui Costa.

Para conhecer mais, basta acessar os projetos da Designa em designadi.com.br.