Exercício e cérebro: atividade física reduz risco de AVC e protege o cérebro

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Por PulseBrand

A atividade física está entre os fatores modificáveis mais importantes na prevenção das doenças cerebrovasculares, especialmente do AVC. Segundo os médicos Gabriel de Freitas, neurologista da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, e Marco Orsini, a prática regular de exercícios apresenta uma relação consistente com a redução do risco de AVC e pode contribuir para a proteção da saúde cerebral ao longo da vida.

De acordo com Gabriel de Freitas, existe uma associação importante entre um maior nível de atividade física e um menor risco de AVC, tanto do tipo isquêmico quanto, em menor grau, do hemorrágico. O benefício não está restrito a pessoas que praticam exercícios de alta intensidade. Atividades moderadas também podem produzir efeitos positivos.

“O exercício não substitui o controle dos principais fatores de risco cerebrovascular. O maior benefício ocorre quando a atividade física é combinada com o controle da pressão arterial, o não fumar, o controle do diabetes e do colesterol, a manutenção do peso adequado e uma alimentação saudável”, explica Gabriel.

Para os especialistas, esses cuidados funcionam de maneira complementar. A combinação de hábitos saudáveis ajuda a reduzir a presença simultânea de fatores que podem favorecer o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares

O médico Marco Orsini, coordenador do Centro de Estudos Niterói Dor, também destaca que os efeitos da atividade física seguem uma relação dose-resposta. Ou seja, de maneira geral, quanto maior a prática de exercícios, dentro de determinados limites, maior tende a ser a redução do risco cerebrovascular.

“Mesmo níveis inferiores às recomendações formais parecem produzir benefício, enquanto a atividade moderada a vigorosa, realizada regularmente, está associada a uma redução significativa do risco de AVC. Estar em atividade significa proteger o nosso cérebro”, afirmam os pesquisadores.

Os resultados observados pelos médicos também encontram respaldo em grandes estudos científicos. Um dos principais exemplos é o INTERSTROKE, estudo internacional que acompanhou quase 27 mil pessoas em 32 países. A pesquisa identificou uma associação entre a prática regular de atividade física e uma redução de aproximadamente 40% na chance de ocorrência de AVC.

Uma análise científica mais recente, publicada em 2026 e que reuniu dados de aproximadamente 2,64 milhões de pessoas, reforçou essa relação. Os resultados indicaram que, até determinado ponto, quanto maior o nível de atividade física, menor tende a ser o risco de AVC. A prática de atividade física moderada a vigorosa esteve associada a uma redução de aproximadamente 19% no risco no nível considerado mais favorável

Os números, entretanto, não significam que seja necessário ser atleta para obter benefícios. Caminhadas em ritmo acelerado, bicicleta, natação, corrida, dança e outras formas de exercício realizadas regularmente podem fazer parte de uma rotina mais ativa.

A principal mensagem dos especialistas é que a prevenção do AVC não depende de uma única atitude. Manter-se fisicamente ativo, controlar a pressão arterial, não fumar, cuidar do diabetes e do colesterol, manter o peso adequado e adotar uma alimentação equilibrada formam um conjunto de medidas capazes de contribuir para a proteção cardiovascular e cerebral.

Para Gabriel de Freitas e Marco Orsini, incorporar o movimento à rotina é uma estratégia acessível e importante de prevenção. Mais do que buscar desempenho esportivo, o objetivo é reduzir o sedentarismo e manter o organismo em atividade de forma regular e compatível com as condições de cada pessoa.

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