Em setembro, a passagem de uma frente fria provocou rajadas de vento de até 86,4 km/h na Grande São Paulo e deixou cerca de 127 mil residências sem energia elétrica na região metropolitana. O episódio também afetou a circulação de trens urbanos, evidenciando como eventos meteorológicos severos podem gerar impactos simultâneos sobre diferentes infraestruturas urbanas.
O cenário climático previsto para os próximos meses mantém o tema em evidência. O terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado em setembro por órgãos como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), aponta probabilidade superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte entre setembro e novembro. A previsão indica temperaturas acima da média em grande parte do país, além de diferentes padrões de precipitação entre as regiões brasileiras.
Os efeitos desse cenário não se restringem à ocorrência de tempestades. Em setembro, o Cemaden também alertou para a situação de rios amazônicos que permanecem abaixo dos níveis esperados após anos de déficit hídrico. Segundo pesquisadores do órgão, a combinação entre temperaturas elevadas e chuvas insuficientes tem dificultado a recuperação dos níveis dos rios, enquanto as projeções apontam para a continuidade do El Niño pelo menos até o início de 2027.
Diante de cenários como esses, a continuidade do fornecimento de energia passa a integrar o planejamento de operações que dependem de equipamentos elétricos, sistemas digitais, refrigeração e processos que não podem ser interrompidos. "Mais do que buscar soluções apenas quando ocorrem os apagões, é fundamental investir ações de prevenção e planos de contingência capazes de garantir o funcionamento das operações", afirma Maysa Calmona, gerente de Comunicação e Marketing da Tecnogera.
Na prática, a preparação envolve etapas como identificação das cargas prioritárias, definição dos equipamentos necessários, dimensionamento da potência e planejamento da mobilização logística. "Uma resposta eficiente começa antes da ocorrência, com o mapeamento das cargas críticas e a definição de como a operação deverá funcionar durante uma eventual interrupção. Isso reduz o tempo de reação e permite direcionar os recursos para os pontos mais importantes", completa Calmona.
Para operações críticas, a adoção de alternativas de fornecimento temporário pode fazer parte dos planos de continuidade, especialmente em situações nas quais uma interrupção de energia pode comprometer processos produtivos, conservação de insumos, sistemas de tecnologia ou serviços essenciais. Nesse contexto, o planejamento energético passa a considerar não apenas a disponibilidade da rede, mas também o tempo necessário para restabelecer as atividades e os recursos disponíveis para manter cargas prioritárias em funcionamento durante uma emergência.
