Na hora de povoar os campos, o que faz um produtor rural escolher pelo uso de genética Angus? A resposta a essa pergunta foi dada pelo time da Ostara Agro na Fazenda Três Lagoas, em Manoel Viana (RS), nesta terça-feira (20/10), na segunda parada da Rota Carne Angus pelo Rio Grande do Sul. O roteiro, que segue ao longo da semana com visitas a propriedades referência no interior gaúcho, é uma promoção da Associação Brasileira de Angus e do Programa Carne Angus Certificada.
A escolha pelo Angus, explicaram os anfitriões Carla Nemitz e seu pai Antônio Nemitz, foi motivada principalmente pela qualidade da carne, precocidade dos animais e valorização no mercado, mas também como opção para lastrear um sistema sustentável de integração lavoura-pecuária. Há gerações na família, a propriedade começou com outras raças predominantes na região, mas, ao longo das décadas, passou a investir na Angus. “Entre 1975 e 1978, começamos a introduzir esse cruzamento que oferece uma qualidade excelente de carne. São uma série de benefícios que encontramos na raça e, por isso, nos dedicamos mais a ela, buscando produzir animais com carne de qualidade”, explicou Antônio Nemitz.
Durante a agenda em Manoel Viana, o gerente nacional do Programa Carne Angus Certificada, Maychel Borges, reforçou o trabalho realizado na propriedade com o cuidado do solo, o que influencia diretamente na qualidade do rebanho. “Vimos um modelo de integração diferenciado. Aqui a raça Angus é uma ferramenta de produtividade e lucratividade integrada há um sistema intensivo de manejo de pastagens, nutrição, sanidade e preservação”, salientou.
Além da genética, a qualidade do rebanho também começa com a criação sobre um solo saudável e adoção de insumos químicos de qualidade. “A nossa maior preocupação é a questão de construir um solo saudável e resiliente, e a ativação biológica do solo é um dos pilares fundamentais para isso. Outra questão é tentar reduzir a dependência dos insumos químicos de inseticidas de fungicidas”, frisou Carla. Na fazenda, conta ela, se trabalha com insumos biológicos fabricando on-farm por meio de biofábricas. Nessas unidades, são produzidos micro-organismos (bactérias e fungos) que, quando depositados sobre o solo e plantas, agregam diferentes funções, aumentando a disponibilidade de nutrientes e reduzindo o uso de defensivos e agroquímicos. “Hoje a gente tem quatro tanques na produção de fungos, onde temos, em cada, oito biofábricas de bactérias e um biorreator”, conta a pecuarista, uma das pioneiras em uso de produtos biológicos nos campos gaúchos.
Com 1.850 hectares, a Fazenda Três Lagoas recebeu comitiva de produtores, lideranças e da Associação Brasileira de Angus para troca de experiências e divulgação do trabalho realizado a campo. “É um reconhecimento ao nosso trabalho. É um momento de receber pessoas que a gente admira e gosta de conviver, e também de ter essa troca de experiências”, afirmou Carla. Segundo ela, a presença da Rota Carne Angus na propriedade amplia a visibilidade do trabalho desenvolvido e permite compartilhar vivências que podem ser aproveitadas por outros produtores. “É uma oportunidade de mostrar o nosso trabalho e, nas trocas, aprender também. Espero que alguém leve alguma coisa daqui que possa aplicar na sua propriedade”, ressaltou.
De acordo com a proprietária, muitos desafios foram enfrentados pela região nos últimos anos. A forte estiagem e episódios de enchentes severas exigiram adaptação e novas estratégias para manter a atividade na fazenda. “A gente está numa região bem desafiadora e difícil. Nos últimos cinco anos, passamos por estiagens e uma enchente bem severa. Isso também vai nos ensinando a tentar tirar o maior proveito da situação que nos é colocada”, concluiu.
Crédito da foto: Ana Hoffmann
