Fisiculturismo amplia interesse pela hipertrofia e exige atenção à saúde

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Mais de quatro em cada dez adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal praticavam, em 2024, atividade física no tempo livre dentro dos níveis recomendados. O dado faz parte da edição mais recente do Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde divulgado em julho deste ano, e considera a prática de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa. Entre as diferentes formas de exercício, a musculação também faz parte da rotina de quem busca melhorar o condicionamento, ganhar força e aumentar a massa muscular.

Celebrado em 30 de outubro, o Dia do Fisiculturista chama atenção para uma modalidade que ultrapassa o universo das competições. A busca pela hipertrofia, no entanto, não significa que seja necessário reproduzir a rotina de atletas profissionais. Segundo o docente do curso de Educação Física da Estácio, João José Cunha da Silva, quem pratica musculação precisa considerar as próprias características, objetivos e capacidade de recuperação.

Atletas de fisiculturismo passam anos se preparando para competições de alto nível, com uma rotina voltada para levar o desempenho físico ao máximo. Para quem busca ganho de massa muscular, copiar esses treinamentos pode não ser adequado. Um dos primeiros cuidados, segundo o professor, deve estar na execução correta dos exercícios antes mesmo da preocupação em aumentar as cargas.

Nos primeiros meses de treinamento, o ganho de força está relacionado principalmente a adaptações neurológicas, enquanto o aumento de massa muscular ainda tende a ser pequeno. Por isso, a evolução das cargas precisa acompanhar o domínio da técnica. “A progressão das cargas deve acompanhar a técnica: primeiro eu preciso aprender o movimento para depois pensar em evoluir nas cargas estabelecidas.”

A hipertrofia também não depende apenas do que acontece durante o treino. Alimentação adequada, sono e descanso fazem parte do processo e interferem na recuperação do organismo e na resposta aos exercícios. Da mesma forma, tentar acelerar os resultados pode levar a estratégias inadequadas, como o consumo excessivo de calorias ou uma rotina de treinos que não permita a recuperação necessária entre as sessões.

A utilização de suplementos também deve considerar as necessidades individuais e contar com orientação profissional. Para Cunha da Silva, os diferentes aspectos envolvidos no processo precisam ser observados em conjunto, já que uma alimentação inadequada ou a falta de recuperação podem comprometer os resultados obtidos com o treinamento.

Outro ponto de atenção é o uso de esteroides anabolizantes para fins estéticos ou de desempenho. Com a maior exposição de corpos musculosos nas redes sociais e a popularização do fisiculturismo, algumas pessoas podem recorrer a essas substâncias na tentativa de alcançar resultados mais rápidos. O uso sem indicação e acompanhamento médico pode estar associado a problemas cardiovasculares, alterações hormonais, prejuízos ao sistema reprodutor e lesões hepáticas, entre outros riscos.

Para o docente, a busca por um corpo mais musculoso não deve se sobrepor aos cuidados com a saúde. “Os resultados virão, com calma, com bons profissionais e com dedicação. Os resultados acontecem e, com certeza, são mais sólidos e duradouros por serem conquistas que tiveram comprometimento e disciplina envolvidos.”

A orientação de Cunha é que o treinamento seja planejado de acordo com as condições e os objetivos de cada pessoa, com progressão gradual e atenção à recuperação. Dessa forma, a hipertrofia deixa de ser uma corrida por resultados rápidos e passa a fazer parte de um processo que envolve treinamento, alimentação, descanso e acompanhamento profissional.

Imagem – Freepik