Brasileiros trocam imóveis por franquias nos Estados Unidos

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Investidores brasileiros têm ampliado a busca por franquias como alternativa de investimento nos Estados Unidos. O movimento envolve empresários que aportam capital em redes com unidades já em operação — em estados como Geórgia e Flórida — como forma de ingressar no mercado americano por meio de um modelo de negócio previamente estruturado, em alguns casos combinando o investimento a processos de visto conduzidos por advogados de imigração.

Os números do próprio governo americano ajudam a dimensionar o interesse. Segundo levantamento do escritório AG Immigration com base em relatórios do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS), o Brasil ocupou em 2023 a sexta posição entre os países com mais vistos de investidor EB-5 concedidos, com 157 autorizações — o recorde brasileiro foi registrado em 2018, com 388 vistos. Em 2024, reportagem da revista Exame, citando dados do USCIS compilados pela LCR Capital Partners, apontou crescimento de cerca de 30% nos pedidos de brasileiros em relação ao ano anterior.

Historicamente, o investimento imobiliário foi a porta de entrada mais comum do brasileiro nos Estados Unidos. A franquia opera em outra lógica: em vez de um ativo físico para valorização ou aluguel, o investidor adquire o direito de operar uma marca com processos, fornecedores e padrões definidos pela franqueadora, formalizados no Franchise Disclosure Document (FDD), documento de divulgação obrigatória previsto na legislação americana.

Esdras Ribeiro, investidor, fundador da Brookstone Holding — grupo sediado em Atlanta, na Geórgia, com participações em marcas de franquia — e autor dos livros "A Franquia de um Milhão de Dólares" e "Why the USA (and How Not to Lose Your Money)", avalia que o perfil do investidor brasileiro mudou nos últimos anos. "O brasileiro que chega hoje não quer só um ativo em dólar. Ele quer uma operação que gere receita, que crie empregos e que, dependendo do caso e sempre com orientação de advogados de imigração, possa se conectar a uma estratégia de visto de investidor", afirma.

Segundo ele, a possibilidade de investir sem mudança imediata de país também pesa na decisão. "Existe um perfil de empresário que mantém seus negócios no Brasil e quer construir uma posição nos Estados Unidos de forma gradual. A franquia com gestão acompanhada por equipe local permite esse caminho, porque a operação não depende da presença física do investidor desde o primeiro dia", diz Ribeiro.

Um exemplo desse movimento é a Quesitos Express, rede do segmento de alimentação fundada por empreendedores latinos e lançada nos Estados Unidos, onde soma 11 lojas, com operação concentrada na região metropolitana de Atlanta. A marca integra o portfólio de investimentos ligado à Brookstone Holding e passou a receber consultas de investidores brasileiros. Entre os casos recentes, dois investidores — um do interior de São Paulo e outro da Bahia — adquiriram franquias da rede e aplicaram para o visto de investidor E-2, em processos conduzidos por seus advogados de imigração. Um deles já vive em Orlando, na Flórida, com a família.

De acordo com a franqueadora, o modelo oferecido ao franqueado inclui apoio na seleção do ponto comercial, treinamento operacional da equipe e acompanhamento da operação nos primeiros meses. As condições, taxas e obrigações de cada parte são descritas no FDD da marca, entregue ao candidato antes de qualquer assinatura, conforme exige a regulamentação federal americana.

"Quando eu cheguei aos Estados Unidos, aprendi na prática o custo de não entender um contrato ou um alvará. É por isso que eu insisto que o investidor leia o FDD antes de se apaixonar pela fachada", afirma Ribeiro. "Franquia não é garantia de sucesso — nenhum negócio é. O que ela oferece é um histórico verificável e regras claras. A decisão continua sendo do investidor, de preferência com seus próprios advogados e contadores ao lado."

A escolha de Atlanta como sede das operações também é apresentada por Ribeiro como decisão de mercado. A região metropolitana da capital da Geórgia reúne um dos aeroportos de maior movimento do mundo e custos operacionais inferiores aos de praças tradicionalmente procuradas por brasileiros, como o sul da Flórida. "Em Atlanta, o investidor brasileiro compete pelo mercado, e não pela atenção de outros brasileiros. Foi isso que me trouxe para cá — isso e o fato de que eu já tinha errado o suficiente em outros lugares para acertar aqui", brinca o empresário.

Nota: investimento em franquia envolve riscos, e resultados passados não garantem resultados futuros. Nos Estados Unidos, ofertas de franquia são realizadas exclusivamente por meio do Franchise Disclosure Document (FDD). Questões de imigração e vistos de investidor devem ser tratadas com advogados de imigração licenciados.