Mostra na Expointer reúne trabalhos de escolas agrícolas e destaca potencial da iniciação científica

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Dez projetos selecionados são apresentados na Casa da Agptea e terão nova exposição no auditório central da feira

A iniciação científica como ferramenta de aprendizado, inovação e formação de jovens para o futuro do agronegócio é o principal destaque da Mostra de Ensino Técnico Agrícola (Meta), que começou nesta segunda-feira, (31), na Casa da Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Agrícola (Agptea), durante a 49ª Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS). Coordenada pelo professor Carlos Fontoura, a Meta selecionou dez trabalhos desenvolvidos por estudantes de escolas técnicas agrícolas do Rio Grande do Sul. Os projetos foram escolhidos entre cerca de 28 trabalhos encaminhados por 29 escolas. Devido à limitação de espaço, foi necessário estabelecer critérios de seleção para definir os projetos que integram a mostra.

Segundo Fontoura, cinco dos trabalhos apresentados no primeiro grupo nesta segunda-feira também serão demonstrados no auditório central da Expointer na terça-feira (1º), a partir das 9 horas. Os demais projetos integram a programação da Meta e serão apresentados ao público durante a feira. “Para nós é uma grata satisfação poder receber esses trabalhos. Eles demonstram o que os professores, os alunos e as escolas agrícolas fazem no seu dia a dia”, afirmou o coordenador.

Além da apresentação na Expointer, os dez trabalhos selecionados terão a oportunidade de participar da Mostratec, uma das principais feiras de ciência e tecnologia do país, realizada em outubro, na Fenac, em Novo Hamburgo (RS). Para Fontoura, o contato dos estudantes com a pesquisa também é uma forma de colocar em prática novas metodologias de ensino e estimular a capacidade de análise e inovação. “A educação hoje trabalha com metodologias ativas. A iniciação científica é uma das melhores ferramentas para trazer inovação, tecnologia e tornar o aluno um ser pensante”, destacou.

O coordenador também ressaltou os resultados obtidos por estudantes das escolas técnicas agrícolas gaúchas em importantes feiras científicas nacionais. Segundo ele, trabalhos desenvolvidos no Estado têm conquistado classificações em eventos como Febrace, Mostratec e Febic, além de outras feiras realizadas em diferentes regiões do país. Na avaliação de Fontoura, os resultados mostram o potencial existente nas escolas agrícolas e a importância de investir tanto na formação dos estudantes quanto na qualificação dos professores. “Se a gente investir nessa juventude e na qualificação dos nossos professores, teremos resultados cada vez melhores”, afirmou.

A Meta também é resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de todo o ano, com acompanhamento das escolas e dos projetos. “É um trabalho contínuo, de formação em serviço, de mentoria e de visita às escolas durante o ano inteiro. A gente conhece esse potencial e tem a oportunidade de trazê-lo para o grande público”, explicou.

A participação na Expointer, considerada pelo coordenador um dos principais espaços de exposição do agronegócio brasileiro, representa também uma oportunidade de aproximar a produção científica desenvolvida nas escolas do público que visita a maior feira agropecuária do Rio Grande do Sul. “Trazer esse trabalho para a Expointer é uma grata satisfação e sempre um motivo de alegria. É a oportunidade de mostrar o potencial das nossas escolas agrícolas para a sociedade”, afirmou.

Já para o presidente da Agptea, Fritz Roloff, a realização da Meta durante a Expointer amplia a visibilidade dos projetos desenvolvidos nas escolas agrícolas e demonstra a diversidade de iniciativas que envolvem os estudantes. “Mais uma vez a Agptea está abrindo a casa aqui na Expointer, trazendo projetos de pesquisa e de inovação na área agrícola. E, neste ano, temos uma variedade de temas que abrangem tanto a pesquisa e a tecnologia quanto questões relacionadas ao meio ambiente e ao fazer pedagógico”, afirmou.

Roloff destaca que a pesquisa científica também funciona como uma importante ferramenta pedagógica para estimular a participação dos estudantes e transformar a maneira como eles se relacionam com o conhecimento. “É uma ferramenta fundamental que o professor tem na mão para incentivar cada vez mais seus alunos, para que eles deixem de ser meros assistentes de aula e sejam protagonistas, aqueles que vão justamente buscar o conhecimento”, disse.

Na avaliação do presidente da Agptea, o acesso à informação, por si só, não é suficiente. O desafio está em fazer com que o estudante consiga organizar, interpretar e aplicar o conhecimento na vida cotidiana. “O conhecimento está aí. Depende da sistematização que o aluno consiga fazer, para que não seja só uma reprodução de conteúdos, mas realmente uma participação na vida, para que possa aproveitar esse conhecimento e trazer para o seu cotidiano melhorias, principalmente para o seu futuro”, afirmou.

Os cinco primeiros trabalhos abordam questões como alimentador automático com placa solar, sistema sustentável no cultivo de hortaliças, Biochar transformando resíduos em sustentabilidade, desenvolvimento de um sucedâneo de lácteo para cordeiros e defensivos e nutrientes alternativos na agricultura.

Foto: Tamires de Moraes/Divulgação

Texto: Artur Chagas/AgroEffective