Trigo evolui de forma satisfatória no Rio Grande do Sul

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Período com menor precipitação e de maior radiação solar permitiu a retomada da adubação e dos tratamentos fitossanitários

As lavouras de trigo apresentam evolução diferenciada no Rio Grande do Sul, com predominância de áreas em final de desenvolvimento vegetativo, elongação do colmo e emborrachamento, as quais totalizam 50%. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (3/9), as parcelas mais adiantadas estão em floração (33%), formação e enchimento de grãos (16%) e em maturação (1%). A área projetada para a safra 2026 é de 814.220 hectares, e a produtividade média é estimada em 2.701 kg/ha. 

O período com menor precipitação e maior disponibilidade de radiação solar permitiu a retomada das operações de adubação nitrogenada e dos tratamentos fitossanitários, em especial nas áreas com restrições de acesso em razão da elevada umidade dos solos. Entretanto, a sequência de dias nublados e chuvosos, registrada em semanas anteriores, favoreceu a evolução de doenças fúngicas, como manchas foliares, ferrugens e oídio, além de aumento da incidência de giberela nas lavouras em fase reprodutiva. 

Na região de Santa Rosa, 27% das lavouras de trigo estão em desenvolvimento vegetativo, 45% em floração, 25% em enchimento de grãos e 3% maduras. A última semana apresentou evolução satisfatória, favorecida por tempo seco e aumento de radiação solar e da luminosidade diária. Contudo, referente ao cenário fitossanitário, ainda há incidência de oídio, ferrugens e manchas foliares. As geadas do início do período foram, em geral, de baixa intensidade e não deverão causar impactos relevantes. 

Canola  

A canola se encontra em fase reprodutiva (floração, formação de síliquas e enchimento de grãos), com evolução diferenciada entre as regiões, sendo mais adiantadas no Noroeste do Estado, onde algumas lavouras foram colhidas. O aumento da luminosidade e das temperaturas favorecem o avanço do ciclo e, nas áreas mais adiantadas, a formação e o enchimento das síliquas.  

Porém, os períodos prolongados de nebulosidade, de elevada umidade e de precipitações frequentes limitaram o desenvolvimento em algumas áreas e tendem a reduzir o potencial produtivo. A ocorrência de granizo provocou danos em alguns cultivos. A área cultivada de canola está estimada em 353.397 hectares, e a produtividade média em 1.619 kg/ha. 

Carinata 

As lavouras estão em reprodução, predominando as fases de formação de síliquas e de enchimento de grãos. A melhoria das condições de luminosidade favoreceu a evolução do ciclo, mantendo a cultura dentro do padrão esperado. O quadro fitossanitário está estável, com incidência pontual de pragas e doenças. Na região de Santa Maria, em Tupanciretã, 100% das lavouras se encontram em enchimento de grãos.  

A fitossanidade está satisfatória, mas foi identificada incidência localizada de esclerotinia (mofo-branco) e de bacterioses, estas associadas a lesões provocadas por granizo. Já na região de Santa Rosa, as lavouras estão em fase reprodutiva, sendo 5% em florescimento e 95% em formação de síliquas e enchimento de grãos. A maior insolação no período favoreceu o desenvolvimento, sem ocorrências expressivas de problemas fitossanitários ou climáticos. 

Aveia-branca  

As lavouras apresentam desenvolvimento fenológico variável, avançando para a fase de enchimento de grãos. A colheita já foi iniciada nas áreas mais adiantadas. De modo geral, as condições das lavouras estão satisfatórias, embora sejam observadas diferenças quanto ao potencial produtivo e às condições fitossanitárias.  

Na região de Passo Fundo, 60% das lavouras de aveia-branca se encontram em florescimento, e 40% em enchimento de grãos, com boa sanidade. Foram registrados episódios de granizo em alguns municípios, cujos danos serão avaliados com maior precisão nos próximos dias. 

Cevada  

A cevada avança da fase vegetativa para os estágios reprodutivos (elongação do colmo, espigamento, florescimento e enchimento de grãos). As condições climáticas permitiram a retomada das operações de manejo fitossanitário, embora as chuvas tenham mantido elevado o risco de doenças fúngicas entre a fase de espigamento e a reprodutiva.  

O estado geral está satisfatório, mas há incidência de doenças foliares em parte das lavouras. A área estimada de cultivo é de 20.320 hectares no Estado, e a produtividade média de 3.020 kg/ha. 

Culturas de Verão 

Milho  

A implantação da safra de milho apresentou forte avanço durante o período, favorecida pela redução da umidade superficial dos solos e pelo aumento da disponibilidade de radiação solar e das temperaturas, e está mais acelerado nas áreas de menor altitude e nas localidades com janela de semeadura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) já estabelecida.  

As lavouras apresentam germinação e emergência satisfatórias, além de estandes uniformes. Predominam áreas em estágios iniciais de desenvolvimento vegetativo. Nas lavouras semeadas em solo ainda excessivamente úmido ou submetidas a chuvas logo após a operação ocorreram problemas pontuais de estabelecimento. 

A estimativa realizada pela Emater/RS-Ascar aponta o plantio de 896.401 hectares de milho, sendo 7,42% superior à safra anterior, produtividade projetada de 7.711 kg/ha e produção aproximada de 6,91 milhões de toneladas, que representa incremento de 7,18%. A ampliação da área do cereal ocorre em um contexto de recuperação e consolidação da cultura no Estado. Na safra 2025/2026, a área efetivamente cultivada foi de 812,5 mil hectares, sendo 13,1% superior à safra 2024/2025, e a produção alcançou aproximadas 5,98 milhões de toneladas, também acima do ciclo precedente. 

Olerícolas e Frutícolas 

Alho  

Na região de Caxias do Sul, em São Marcos, os cultivos seguem com bom desenvolvimento vegetativo, apesar das condições climáticas. As primeiras lavouras implantadas devem iniciar o processo de diferenciação (início formação dos bulbos) em meados de setembro. As geadas não afetaram a cultura. 

Brássicas (brócolis, couve-flor e repolho) 

Na região de Lajeado, em Vale Real, as brássicas estão em plena produção, com produto de muito boa qualidade, embora as condições meteorológicas desfavoráveis, como o excesso de umidade no solo, tenham causado perdas de qualidade nessas culturas. 

Citros 

Na região de Erechim, está encerrada a colheita das variedades de laranja Salustiana, Iapar, Umbigo Navelina e Rubi, comercializadas com preços muito baixos, em torno de R$ 0,40/kg. A colheita de laranja Valência começou no início de agosto. Os citricultores estão desanimados em razão dos baixos valores ofertados pelas indústrias processadoras, cenário agravado pela retração da demanda e dos preços da laranja in natura.  

Laranja Valência destinada à indústria de suco está sendo comercializada a R$ 380,00/t. Há expectativa de leve recuperação dos preços a partir de setembro, impulsionada pela subvenção aprovada e pela elevação gradual das temperaturas, fator que tende a estimular o consumo de suco e de frutas in natura. 

Na região de Lajeado, em Montenegro, foram colhidos 60% dos pomares de bergamota Montenegrina, havendo diferença de preço para o produto entregue no mercado consumidor. A colheita de laranja Valência alcança 30% dos pomares. Em Maratá, a colheita da bergamota Montenegrina atingiu 70% da área cultivada, variando conforme a qualidade dos frutos. Em São José do Sul, os produtores relatam pouca na comercialização de limão-tahiti, mas há expectativa de melhora nas vendas no final do ano. 

Pastagens 

Nativas 

Na região de Bagé, os campos nativos continuam apresentando rebrota moderada. As principais limitações ao crescimento e à utilização das pastagens estão concentradas nas áreas com maiores acumulados de chuva, onde os alagamentos ou o encharcamento do solo têm restringido o desenvolvimento das plantas. O manejo de lotação inadequado nos últimos meses reduziu a oferta de pastagens de qualidade, em decorrência da menor capacidade de realização de fotossíntese e de recuperação. 

Na região de Santa Maria, em Júlio de Castilhos, o retorno de dias mais ensolarados, com maior incidência de radiação solar, vem favorecendo a recuperação das pastagens. A redução do excesso de umidade no solo e a melhora das condições meteorológicas têm estimulado o crescimento do campo nativo, e houve retomada da rebrota e da recuperação da área foliar. 

Cultivadas 

Na região de Erechim, as áreas de aveia e azevém destinadas à produção de feno e silagem encontram-se em desenvolvimento vegetativo. A ausência de períodos prolongados de tempo seco tem dificultado a produção de feno e comprometido a qualidade do material já enfardado. Diante dessas condições, muitos produtores têm optado pela produção de pré-secado, acondicionado em bolas. Na região de Frederico Westphalen, já foram iniciadas, em algumas propriedades, a implantação de forrageiras de verão, como capim-sudão para pastejo e milho destinado à produção de silagem. 

Na região de Ijuí, as forrageiras anuais de inverno se encontram em estágio de formação de grãos e vêm sendo roçadas para a implantação das forrageiras de verão. A redução da umidade do solo, associada à maior presença de sol, possibilitou a realização de cortes para a produção de forragens conservadas, como silagem de aveia e trigo, pré-secado e feno. A semeadura das forrageiras anuais de verão foi intensificada durante o período, com destaque para o capim-sudão. 

Nas regiões de Santa Rosa e Soledade, as áreas mais precoces de aveia avançaram para as fases de alongamento e floração, sendo gradativamente dessecadas para a implantação do milho. Também foram realizadas adubações de cobertura com ureia e esterco, que contribuíram para o aumento da produção de forragem. Por causa da proximidade da primavera, as pastagens perenes de verão apresentam retomada gradual do crescimento. 

Texto: Ascom Emater/RS-Ascar 
Edição: Secom