A inteligência artificial começa a ocupar um novo espaço nas estratégias de marketing. Pesquisas afirmam que, além de automatizar tarefas e reduzir o tempo de produção, a tecnologia vem sendo usada para transformar uma mesma informação em diferentes formatos, personalizar mensagens e ampliar os pontos de contato das empresas com clientes.
Palestras, entrevistas, webinars e participações de executivos em eventos, por exemplo, podem dar origem a artigos, podcasts, newsletters, publicações em redes sociais e materiais comerciais direcionados a diferentes públicos.
"Durante muito tempo, a inteligência artificial foi associada principalmente à ideia de fazer mais em menos tempo. Agora, começamos a perceber que seu potencial vai além da produtividade. Uma única informação de qualidade pode ser organizada, adaptada e distribuída em diferentes formatos", afirma Sandro Ari Pinto, vice-presidente da PAGOS – Associação Brasileira do Ecossistema de Pagamentos.
Um exemplo ocorreu a partir de uma palestra de André Esteves e Mansueto Almeida durante o Fórum Empreendedor BTG Pactual, em São Paulo. O conteúdo sobre a conjuntura econômica e política brasileira foi processado com uma ferramenta de IA, que produziu um resumo das discussões e posteriormente estruturou um podcast. O detalhamento de como essa transformação foi conduzida, da palestra original aos formatos finais, está disponível nesta página. Uma informação originalmente apresentada em um evento ganhou, assim, novos formatos e possibilidades de consumo.
"A IA não criou o conhecimento. Ele continuou pertencendo aos especialistas. O que a tecnologia fez foi ampliar nossa capacidade de aproveitar, organizar e distribuir esse conhecimento", diz Pinto.
Bancos avançam no uso de dados e personalização
O setor financeiro apresenta exemplos de como a combinação entre tecnologia, dados e personalização vem sendo incorporada ao relacionamento com clientes. Em 2025, o BBVA conquistou 11,5 milhões de novos clientes, dos quais 66% chegaram por canais digitais. As vendas digitais já correspondiam a 78,8% do total de unidades vendidas.
No Banco de Bogotá, uma campanha de recompensas baseada em dados e metas personalizadas registrou aumento de 6,4% nos gastos. Entre os clientes que selecionaram uma meta, o crescimento foi quatro vezes superior à média da campanha.
Já a assistente virtual Erica, do Bank of America, registrou quase 700 milhões de interações de 20,6 milhões de usuários em 2025. Desde o lançamento, em 2018, foram mais de 3,2 bilhões de interações.
Análises da McKinsey também apontam os efeitos da tecnologia na produção de conteúdo. Em trabalhos com bancos que utilizam IA em marketing, a consultoria observou ganhos de 15% a 20% na velocidade de produção e melhora de até 25% na conversão de clique em lead. Em outras implementações, estratégias que combinaram diferentes canais e organizaram a sequência de contatos elevaram a geração de leads em até 70%.
"Não se trata simplesmente de pedir para uma ferramenta produzir conteúdo. O desafio é combinar tecnologia, dados e estratégia para definir qual informação deve chegar a cada público, em qual formato e no momento adequado", afirma o executivo.
Estratégia ganha importância
A disseminação da IA também aumenta a necessidade de supervisão humana. Quanto mais acessível se torna a produção de textos, vídeos, áudios e campanhas, maior tende a ser a importância de fatores como credibilidade, conhecimento especializado, originalidade e compreensão do consumidor.
O cuidado é especialmente relevante em conteúdos que envolvem informações financeiras, declarações de terceiros, reputação empresarial ou dados sensíveis.
"Quanto mais fácil fica produzir conteúdo, mais importante se torna decidir o que realmente merece ser produzido. O ponto não é apenas produzir mais rápido, mas fazer cada conteúdo trabalhar mais pela marca", conclui Sandro.
