Os cuidados com os animais de estimação não devem começar apenas quando surgem sinais de doença. Alimentação adequada, vacinação, controle de parasitas, acompanhamento veterinário e um ambiente compatível com as necessidades de cada espécie fazem parte da rotina necessária para garantir saúde e bem-estar. O Dia Mundial dos Animais, celebrado em 4 de outubro, e o Dia das Aves, no dia 5, reforçam a importância da prevenção e da atenção às particularidades de cada animal.
No caso de cães e gatos, a medicina preventiva inclui controle de pulgas, carrapatos e outros parasitas, alimentação equilibrada, manutenção do peso adequado, atividade física e estímulos cognitivos. “A medicina preventiva ativa inclui controle rigoroso de ectoparasitas, como pulgas e carrapatos, e endoparasitas, manutenção do peso ideal, alimentação equilibrada, estímulo cognitivo diário, ambiente seguro e livre de estresse e escovação dentária regular”, explica a professora doutora Fabiana Quartiero, docente de clínica de animais de companhia da Faculdade de Medicina Veterinária da Estácio.
A vacinação também é fundamental. Para cães, o protocolo inclui vacinas polivalentes, como V8 ou V10, e antirrábica, além de proteção contra traqueobronquite infecciosa quando indicada. Para gatos, são recomendadas as vacinas contra doenças como rinotraqueíte, calicivirose e panleucopenia, além da antirrábica e, em situações específicas, contra FeLV. Consultas periódicas permitem identificar problemas antes que apresentem sintomas mais graves.
A alimentação deve ser baseada em produtos balanceados e adequados à espécie, idade e condição fisiológica. Dietas naturais precisam ser formuladas por médico veterinário nutrólogo. Alimentos como chocolate, uva, cebola e alho não devem ser oferecidos aos pets, assim como o excesso de restos de comida, petiscos e alimentação à vontade, que podem favorecer obesidade e desequilíbrios nutricionais.
Para os gatos, a hidratação merece atenção. Fontes de água, vários bebedouros pela casa e alimentos úmidos ajudam a estimular o consumo. A caixa de areia deve ser mantida limpa, em local tranquilo e com substrato adequado, enquanto arranhadores, prateleiras e outros recursos contribuem para o enriquecimento ambiental. Telas em janelas e varandas são indispensáveis para evitar acidentes.
Já as aves domésticas precisam de cuidados específicos de manejo. Temperatura estável, controle da umidade, proteção contra correntes de ar, exposição adequada à luz solar e respeito ao fotoperíodo são importantes para a saúde. A alimentação deve ter como base ração extrusada específica para a espécie, complementada por vegetais, legumes e frutas com moderação. Sementes como girassol devem ser oferecidas apenas ocasionalmente, e alimentos humanos, como pão e arroz cozido, não são recomendados.
As gaiolas devem permitir que a ave abra completamente as asas e faça pequenos voos. Água e restos de alimentos precisam ser trocados ou removidos diariamente. Poleiros de diferentes diâmetros, brinquedos de forrageamento e interação social também fazem parte do bem-estar. “Nas aves, a prevenção passa pelo acompanhamento com médico veterinário especializado em animais silvestres e exóticos, com consultas anuais e exames coproparasitológicos periódicos”, orienta Fabiana.
Entre os sinais que exigem atenção estão a apatia, perda repentina de apetite, alterações de peso e mudanças na urina ou nas fezes. Em cães e gatos, tosse persistente, dificuldade para respirar, coceira intensa, queda de pelos e secreções também merecem avaliação. Nas aves, penas constantemente eriçadas, movimentação da cauda durante a respiração, apatia no fundo da gaiola e sujeira ao redor da cloaca ou das narinas são sinais de alerta.
A automedicação deve ser evitada, já que medicamentos de uso humano podem provocar intoxicações graves. Também não é recomendado repetir prescrições antigas ou interromper tratamentos antes da alta veterinária. A prevenção, segundo a especialista, deve fazer parte da rotina e respeitar as necessidades específicas de cada espécie.
