Armada atrás de armada, sem dar folga na Arena do Cavalo Crioulo de Esteio (RS), a Estância Três Coxilhas conquistou o título do primeiro Desafio Plastlife – Seleção de Cabanhas durante a Final Nacional do Crioulaço. A equipe acertou todas as laçadas realizadas ao longo da Final, em 36 voltas, alcançando aproveitamento total e garantindo uma picape Ram Rampage 0 km, que seguiu para a sede da propriedade em Barra Velha (SC).
Composta pelos ginetes Pompílio Ramos, Pedro Luiz de Carvalho, Gustavo Sartorelli, Angelito Hernández e Duzinho Biazon, a seleção manteve a sequência de acertos até o fim, confirmando todas as 230 armadas em Esteio (RS). Sete cabanhas chegaram classificadas à final, entre as 26 inscritas, que definiu a Cabanha Caixas, de Canguçu (RS), em segundo lugar, e a Cabanha Rebuliço, de Pelotas (RS), na terceira colocação.
Realizada de forma inédita pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), a competição mostrou em pista o trabalho das cabanhas e a qualidade dos animais, combinados com a regularidade dos competidores até sábado (24/10). A excelência da disputa é resultado, conforme Fernando Gonzalez, vice-presidente de Modalidades Esportivas da ABCCC, da equação entre alta participação e competitividade. “O nível técnico tem uma razão: alto volume de participantes e grande quantidade de competições. O que tem de melhor entre laçadores no Brasil esteve aqui”, destacou.
O crescimento desta edição do Crioulaço confirma: aumento de 71,6% nas inscrições, com 676 inscrições nas modalidades esportivas, 372 competidores e 13 categorias. Conforme Gonzalez, a ABCCC pretende aprimorar as disputas de laço, mantendo o objetivo de reunir a comunidade crioulista. “O nosso plano é melhorar. A gente vai pisar mais fundo para fazer ainda melhor”, afirmou Gonzalez, ao confirmar a continuidade da Seleção de Cabanhas: “Veio para ficar”.
A tradição do laço comprido também se traduz nas mais de 50 horas de provas desde a quinta-feira (22/10), em disputas pelo montante de R$ 130 mil em prêmios que exigiram força no braço. “Isso soma-se à vocação para o serviço do Cavalo Crioulo, combinando com sua docilidade, velocidade e resistência nas provas”, indica Gonzalez.
Em uma disputa parelha, cada detalhe conta. Foi o que o público viu na categoria que reuniu o maior número de duplas no final de semana. Com 108 pares peleando pelo prêmio principal, na Força C, a competição foi se afunilando até que oito laçadores alcançaram a final nas oito voltas: Gilberto Vieira Venturini, com Volta de Honra Juma; Carlos Papke, com Alegre CH do Moinho; Ewaldo Rieper Neto, com Tertúlia da Emaisa; Robson Jardel Schnaider, com Paulo Afonso Légua e Meia; João Luiz Ramos, com Bem-Te-Vi da Liscdanfer; Miguel Flores, com MCS Mascarado; Rodrigo Albuquerque Feijó, com Alegria da Figueira; e Maurício Ribeiro Tarouco, com Nevasca do Açude Velho.
Já na categoria Criador, João Feijó, da Cabanha Três Figueiras, de Barra do Ribeiro (RS), venceu na Força C montando a égua tordilha Alegria da Figueira, honrando a tradição da raça Crioula iniciada pelo pai e fazendo do laço uma paixão compartilhada com toda a família. Em 2024, um acidente grave o impediu de participar. Mas, neste ano, voltou à arena para viver a emoção da conquista. “A gente espera o ano todo para estar aqui”, lembrou, já fazendo planos para a próxima edição: “Quero vir e laçar pai e filho”, revela o crioulista, pai de três, e que dividiu pista com o irmão Lucas. “A gente sempre vai fazer de tudo para participar”, assegura.
O resultado completo das disputas está disponível em Mundo do Laço. A Final Nacional do Crioulaço 2026 tem patrocínio de Supra, John Deere e Plastlife, com apoio de Reiter Log, Real Wood, Mundo do Laço e Jolimont.
Fotos: Mária Retratos
