Embalagens inteligentes: tecnologia a favor da sustentabilidade

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Como as embalagens podem aumentar a vida útil e evitar o desperdício dos alimentos

Você já pensou no caminho que alguns alimentos fazem até chegarem à sua casa? O tempo que ficaram estocados antes de serem comprados? Nada desse percurso seria possível se não fossem as embalagens. A forma como o alimento é acondicionado faz toda a diferença na proteção e conservação; por isso, a escolha do material ideal para a produção da embalagem é fundamental para a durabilidade da mercadoria. Para você consumir um produto fresco e saudável, tem muita logística por trás, que conta com a tecnologia como protagonista.

A tecnologia trabalha em prol da sustentabilidade, e isso significa reduzir o desperdício, os impactos ambientais, e manter, por mais tempo possível, as propriedades do produto, com a compreensão de que um alimento tem uma trajetória de vida que não começa nem termina nas prateleiras do supermercado.

Embalagem ativa

Por muitos anos, se pensou no conceito de embalagem passiva, que não interage muito com os alimentos. Mas atualmente, trabalha-se com a ideia de embalagem ativa, que tem importante interferência na shelf-life, ou tempo de prateleira do produto. Com isso, é possível incorporar substâncias que não contaminam os produtos e que podem contribuir para sua durabilidade e seu melhor aproveitamento.

Sustentabilidade

Tradicionalmente, uma embalagem é um invólucro que serve para acondicionar algo. Mas com o avanço tecnológico, ela pode servir para outras finalidades, como aumentar a durabilidade do alimento. Quando se fala em embalagem sustentável, não basta pensar no processo de produção, que utilize menos poluentes, no descarte, que não seja nocivo ao planeta, mas também na função do material durante sua vida útil. São consideradas sustentáveis aquelas que mantêm as propriedades dos alimentos e possibilitam conservá-los por mais tempo, evitando o desperdício.

Embalagem a vácuo

O processo de embalagem a vácuo é muito simples, e mantém o alimento em condições semelhantes a produtos in natura. A selagem e a retirada do ar em contato com o alimento evita a proliferação dos organismos, que necessitam de oxigênio para sobreviver. Além disso, a embalagem facilita o manuseio, diminui o risco de contaminação e aumenta o tempo de vida útil dos alimentos em até cinco vezes.

LiquiGlide

Muitas vezes, queremos aproveitar um produto até a última gota, e não conseguimos. Por quê? Por causa da embalagem. É um tal de aperta aqui, aperta ali, e nada de sair o alimento. Para acabar com isso, o laboratório do MIT (Massachusetts Institute of Technology) criou a embalagem LiquiGlide. A solução está em uma superfície altamente escorregadia, que permite o trânsito de produtos líquidos e viscosos. A novidade já interessou clientes como a Elmer’s, fabricante americana de colas e adesivos, e o conglomerado norueguês Orkla, que vende alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal.

A tecnologia da LiquiGlide promete também ser uma eficiente aliada na extração e no transporte de petróleo, pois evita a formação de coágulos e o entupimento de oleodutos, o que representaria, segundo a empresa, uma  economia de milhões de dólares no processo. O setor de aviação também demonstrou interesse na tecnologia; o plano é revestir a área externa das aeronaves com o lubrificante, e evitar o acúmulo de gelo durante o inverno.

Leite mais fresco

Quem consome leite tipo A sabe que ele dura cerca de uma semana na geladeira, isso porque é mais fresco e mais saudável do que o tipo longa vida. Para aumentar a vida útil deste alimento, a marca Letti desenvolveu uma embalagem que prolonga a validade para 15 dias, graças às micropartículas à base de sílica e prata, com ação bactericida, presentes na garrafinha que armazena o leite. As nanopartículas não contaminam a bebida, pois ficam retidas na embalagem.

Etiqueta inteligente

Já pensou em uma etiqueta que informa as condições do alimento que ela reveste? Isso não é sonho, não; é tecnologia real. Desenvolvida pela designer Solveiga Pakstaite, de 22 anos, a Bump Mark é uma etiqueta feita de gelatina, que muda de textura à medida que o alimento vai perdendo a qualidade.

A logística foi pensada levando em conta a dificuldade de deficientes visuais em verificar a validade dos alimentos, e funciona de uma forma bem sensorial. O consumidor passa o dedo sobre a etiqueta; se ela estiver lisa, a comida está fresca, mas se estiver com algumas ranhuras, é sinal  de que não está em perfeitas condições. Como isso é possível? A gelatina é uma proteína que se decompõe de maneira parecida com outros alimentos, como carnes, ovos e leite; por isso, funciona como um medidor ideal.

Simplicidade também é tendência

Para quem quer investir em uma alimentação saudável, alimentos frescos são muito importantes, e aquela máxima dos nutricionistas faz todo o sentido: descasque mais, desembale menos. Mas no mercado, tem também muitos alimentos riquíssimos em nutrientes: os produtos vendidos a granel, que têm uma validade longa, e não precisam de embalagens para aumentar sua vida útil. Castanha, amendoim, avelã, frutas secas, granola, sal marinho, albumina, maca peruana, aveia, tapioca e demais farinhas podem ser compradas a granel, em embalagens de papel.

Fonte: Redação

Crédito foto: divulgação istock