Jogar videogames em uma média de uma hora por dia contribui para um aumento de aproximadamente 2,5 pontos de QI em dois anos
Quando a criança passa muito tempo de frente para uma telinha, acende logo o alerta vermelho nos pais. O receio é que, com os jogos, os filhos estejam imersos em um mundo paralelo e percam a noção da realidade. Além disso, quais tipos de aprendizagem estes games oferecem? É verdade que a criança tem que se sujar, aprender a levantar e cair. Mas não faz tão mal ao cérebro ficar umas horinhas nos jogos eletrônicos, muito pelo contrário. De acordo com pesquisa publicada na revista Scientific Reports, crianças que passam mais de uma hora por dia no videogame desenvolvem um QI maior.
O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de Amsterdam, na Holanda, e do Instituto Karolinska, na Suécia, foi publicado recentemente na revista Scientific Reports, e concluiu que uma criança passa normalmente em média uma hora por dia jogando videogames; em dois anos, tal ação irá contribuir com um aumento de aproximadamente 2,5 pontos de QI, em relação às demais crianças.
Método de pesquisa
Para chegar ao resultado, os pesquisadores fizeram testes com 5.374 crianças. A pesquisa foi dividida em dois momentos: o primeiro quando elas tinham entre 9 e 10 anos e o segundo, dois anos depois, quando tinham 11 e 12 anos de idade. Durante os testes, foi criado um parâmetro pelos pesquisadores para medir o índice de inteligência. As tarefas realizadas envolviam compreensão de leitura, vocabulário, atenção, memória, autocontrole, noção de espaço e imaginação.
Um upgrade na memória
Não é a primeira vez que pesquisadores se debruçam sobre os benefícios do videogame para o cérebro. Anteriormente, um estudo publicado na revista científica Frontiers in Human Neuroscience, realizado por pesquisadores da Universidade Aberta da Catalunha (UOC), avaliou habilidades cognitivas de 27 pessoas, entre 18 e 40 anos, que jogavam com frequência, ou que jogaram em algum momento da vida.
O resultado demonstrou uma melhora na memória de trabalho, que está relacionada ao armazenamento temporário de informações, mesmo para aquelas pessoas que não jogam mais, porém eram jogadoras ávidas em tempos anteriores.
Ginástica mental
Ao jogar, apenas o corpo descansa, porque o cérebro faz ginástica durante todo o tempo. Um trabalho realizado por pesquisadores japoneses e indonésios, publicado na revista Brain Sciences, avaliou por que os jogos fazem bem para o cérebro, e descobriram que a atividade ativa regiões específicas do órgão. É que os games exigem do jogador a elaboração de soluções e respostas, responsáveis por uma verdadeira maratona mental.
Cérebro ativo
Desde que os Titãs cantaram que “a televisão me deixou burro, muito burro demais”, os pais se assustam quando veem seus filhos por horas em frente a uma telinha, seja da televisão ou do celular. E faz sentido, pois o efeito positivo observado na prática de jogos eletrônicos não foi observado em atividades como assistir à televisão ou utilizar redes sociais. Isso porque o cérebro, neste caso, está agindo de forma passiva e não sendo exercitado, como acontece nos videogames.
Hoje em dia, muitas crianças possuem seu próprio smartphone com joguinhos instalados, ou passam horas assistindo a vídeos no YouTube. Os pais precisam estar sempre atentos em todo caso e delimitar os limites para cada atividade. Seja por meio de um tablet ou celular Samsung, por exemplo, os eletrônicos precisam ser usados com moderação. Afinal, viver no mundo real é também um grande exercício para o cérebro.
(crédito: divulgação istock)
