Vaticano ameaça de excomunhão grupo católico ultraconservador

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Pope Leo XIV speaks during a private audience with participants in the National Meeting of Catholic Religion Teachers, who teach religion courses in Italian public schools, promoted by the CEI (Catholic Episcopal Conference), at Paul VI Hall in the Vatican on April 25, 2026. (Photo by Andreas SOLARO / AFP)

Por Redação O Estado de S. Paulo

O Vaticano ameaçou de excomunhão nesta quarta-feira, 13, um grupo católico dissidente, ligado à defesa da missa em latim, caso eles insistam em ordenar novos bispos sem a autorização do papa Leão XIV. Esta é a primeira vez que o novo pontífice faz uma ameaça com a punição mais severa da Igreja Católica.

O escritório doutrinário do Vaticano informou à Fraternidade São Pio X, sediada na Suíça, que qualquer ordenação de bispos sem o devido consentimento do papa configuraria um cisma, ou seja, uma ruptura formal com o pontífice.

A cerimônia planejada pelo grupo extremista representaria “uma grave ofensa contra Deus e acarretaria na excomunhão prevista pela Igreja”, informou em comunicado o cardeal Victor Fernández, chefe do escritório doutrinário.

A Fraternidade São Pio X é um grupo ultraconservador que rejeita as mudanças introduzidas na Igreja por meio do Concílio Vaticano II – um encontro histórico de bispos, realizado nos anos 1960, que promoveu diversas reformas na Igreja Católica, entre elas a permissão para que a missa pudesse ser celebrada em idiomas locais e não mais apenas em latim.

Pessoas excomungadas pelo Vaticano são consideradas totalmente apartadas da Igreja. Elas não podem mais receber sacramentos, como a comunhão, ou ocupar cargos religiosos. Caso morram, não têm direito a um funeral católico.

A Fraternidade São Pio X, que afirma ter 733 padres ao redor do mundo, mantém relações tensas com o Vaticano há décadas. O fundador do grupo, o arcebispo Marcel Lefebvre, foi excomungado em 1988 após ordenar quatro bispos sem autorização do então papa João Paulo II, que também foram excomungados.

O sucessor de João Paulo II, Bento XVI, tentou retomar o diálogo com o grupo dissidente e revogou as excomunhões feitas por seu antecessor. A atual liderança da fraternidade anunciou em fevereiro que pretende ordenar novos bispos em julho, mesmo sem aprovação do Vaticano, alegando necessidade de ampliar o número de líderes religiosos do grupo.

A Igreja Católica considera um princípio rígido que apenas o papa pode autorizar a consagração de novos bispos, como forma de manter a ligação da Igreja com os 12 apóstolos de Jesus, considerados os primeiros padres e bispos.

A consagração sem consentimento papal gera excomunhão automática tanto para o bispo responsável pela cerimônia quanto para os ordenados.

*Com informações da Associated Press.

Criador: ANDREAS SOLARO | Crédito: AFP

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