Se aproximar do animal com muita cautela, munido de um pano limpo e coleira, são os primeiros passos
O abandono de animais é um problema alarmante, que atinge o país inteiro. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), há 20 milhões de cachorros desabrigados em situação vulnerável.
Além disso, há muitos cães feridos nas ruas, seja por atropelamento, maus-tratos ou outro tipo de acidente. Com frequência, há relatos de pessoas que encontram esses cães próximo à porta de casa ou no bairro.
Sem saber como agir, a pessoa pode ferir ainda mais o cão. Outras, após o resgate, colocam o pet novamente na rua porque não sabem como ajudar da maneira certa.
“Apesar das campanhas de conscientização a respeito do abandono de animais, essa prática ainda é muito observada, principalmente em vésperas de festas de final de ano. Ocorre também a procriação entre animais errantes, mesmo com as inúmeras castrações que são feitas, seja pela prefeitura ou clínicas particulares”, alertou o médico veterinário, André Toledo, da clínica AMVET.
Os bichinhos de estimação têm baixas expectativas de vida nas ruas
Segundo o veterinário, geralmente, os animais errantes sobrevivem melhor ao abandono, uma vez que aprenderam, como na natureza, a procurar o próprio alimento e abrigo. Já os animais abandonados que foram criados em um ambiente familiar, as expectativas de vida são bem menores.
Ou seja, aquele cãozinho que sempre viveu dentro de casa com uma família, quando é abandonado, tem mais chances de sofrer um acidente e não sobreviver na rua, do que o cão que já nasceu sem um lar.

“Ao se deparar com um animal aparentemente abandonado, tendo a intenção de acolhê-lo, deve-se primeiramente tentar ganhar sua confiança. Mas isso não significa sinal verde para tentar pegá-lo.
Deve-se avaliar com certo critério a condição geral do animal, uma vez que há várias doenças zoonoses, ou seja, que podem ser transmitidas para os humanos. Estabelecida uma confiança “segura”, aproxime-se do pet com movimentos calmos e lentos“, explicou o médico veterinário.
Como agir corretamente?
De acordo com André, uma tentativa abrupta pode colocar tudo a perder. E, inclusive, provocar situações perigosas, como atropelamento ou um ataque contra a pessoa.
“Use panos, cobertores, caixas de papelão, coleiras improvisadas para tentar minimizar os riscos para ambos.
Tendo sucesso no resgate, priorize levar o animal a um veterinário a fim de se investigar mais a fundo a condição de saúde do pet. Bem como providenciar que ele seja devidamente imunizado e/ou submetido a algum tratamento caso seja necessário”, disse.

Se houver sangramento recorrente, fratura exposta ou o cão aparentar sentir dor, o socorro deve ser acionado o mais rápido possível. Por isso, a ação deve ser feita com muita cautela e se sentir vulnerável, chame a ajuda de alguém. Um cão com dor pode agir agressivamente para se proteger.
“No caso de urgências e emergências, como fraturas ou hemorragias, o cão pode ser levado para um hospital público ou para uma clínica mais próxima”, instruiu.
Agora, se for algo superficial e o pet não aparentar sentir dor, outra opção é levá-lo para casa e providenciar uma ajuda até ao veterinário. “Se tiver outros pets, mantenha esse cão em um espaço separado de qualquer membro da família até que se consiga ir à consulta”, informou André.
Cuidado!
Em casa ou na rua, não automedique o cachorro. Somente um profissional pode avaliar quais cuidados o cão precisa no momento e quais medicamentos ele deve tomar. Ao agir por impulso – mesmo com boas intenções – a vida do animal pode ficar em risco.
“Por fim, tendo garantidas sua saúde e do pet, avalie sua condição para torná-lo um membro da sua família. Caso não consiga, coloque-o para adoção consciente e certifique-se que essa nova família possa garantir vida longa, saudável, segura e confortável a ele”, concluiu o médico veterinário.
Crédito capa: Liudmila Chernetska/iStock by Getty Images
Fonte: https://totosdatete.org.br/
